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BANDA NEBULOSA QUINTETO LANÇA O SEU PRIMEIRO CD

Por Rachel Queiroz

Formado em 2010, o Nebulosa Quinteto lapidou ao longo do ano passado seu primeiro álbum. Bruno Vitorino, responsável pelo contrabaixo e pelas composições, fala sobre o processo coletivo de criação da sua música, além de convidar o público para o lançamento do álbum de estréia

Como a banda surgiu?
Bruno Vitorino – A idéia de montar o Nebulosa Quinteto surgiu em meados de 2010, quando eu ainda tocava na Bande Dessinée. Nessa época, eu já estava trabalhando em algumas composições minhas e pensava em montar um grupo para tocá-las. Com isso em mente, comecei a contatar uns amigos e outros músicos que poderiam gostar de um projeto autoral de música instrumental baseada na improvisação individual e coletiva com um forte elemento Free (Jazz). Foi um árduo trabalho que se estendeu por quase um ano, mas, ao fim desse processo, tive a sorte de encontrar músicos do mais alto nível que toparam o projeto. Assim, Marcio Silva (bateria), Cecília Pires (flauta), Fred Lyra (guitarra) e Luciano Emerson (clarinete) chegaram e nós começamos a ensaiar. Na verdade, quase viramos um sexteto, porque Dom Ângelo chegou a participar do grupo, mas foi a Portugal para seu mestrado em guitarra. 

Quais as influências da banda?
Bruno Vitorino – De cara, diria que o Jazz enquanto linguagem de improvisação é o elemento básico que promove o amálgama do grupo. Entretanto, como se pode imaginar, cada integrante tem uma vivência musical muito própria e isso faz com que cada um traga para o Nebulosa Quinteto referências das mais diversas. Portanto, as influências vão de nomes como Zé Bodega e Juarez Araújo, passando por Thelonious Monk e John Coltrane, indo até Gustav Mahler, Villa-Lobos e Gyögy Ligeti. O grande lance, a meu ver, é justamente essa pluralidade, pois o interessante é deixar de lado o hermetismo dos gêneros musicais e aproveitar de cada um deles o que for possível segundo nossa própria inspiração, conectando, assimilando, ressignificando e criando.

Como foi a preparação desse cd?
Bruno Vitorino – Depois de aproximadamente três meses trabalhando as músicas em ensaios e dois concertos apresentando esses temas, chegamos à conclusão de que já era tempo de gravarmos nosso disco. Portanto, a produção desse álbum foi bem simples: entramos no estúdio e gravamos todos juntos numa mesma sala, “ao vivão”, sem overdubs, efeitos ou coisas do tipo. Buscamos a sonoridade mais orgânica possível e tudo o que é ouvido nesse disco é o fruto mais sincero de nossa total entrega à música. Gravamos seis temas, sendo quatro deles de minha autoria, uma improvisação livre e uma interpretação nossa da belíssima balada Monk’s Mood do genial Thelonious Monk.

Como é a integração dos membros da banda, qual a participação de cada um nas composições?
Bruno Vitorino – A integração é a melhor possível! Somos muito próximos dentro e fora da música, e essa afinidade toda fica evidenciada no Nebulosa Quinteto. Nós partimos do pressuposto que a música está para ser conduzida coletivamente e não simplesmente executada burocraticamente com momentos de solo onde os instrumentistas demonstram virtuosismo estéril. É preciso ouvir e ser ouvido, perguntar e responder, construir e desconstruir; sempre juntos, coesos, firmes. Todos têm de estar atentos ao que acontece a todo instante e, principalmente, sentir a música e entendê-la como resultado de um processo coletivo e multifacetado. Dessa forma, as partituras mais funcionam como um direcionamento que como uma determinação, restando que cada músico opte por trilhar a estrutura da composição livremente.

Qual a diferença entre um show de vocês e o álbum?
Bruno Vitorino – Toda vez que executamos um tema, ele é tocado e sentido de maneira diferente da anterior. Há muito movimento em nossa música. Ao vivo, é mais palpável perceber essas mudanças de direção, pois ali estamos criando, improvisando, ouvindo e trocando energia dentro do grupo e também com o público. Um tema como “Noite na Casa Amarela” já chegou a durar meia hora por causa da vibração experimental que compartilhamos no palco, enquanto que no disco ficou perto dos dezesseis minutos. Por isso, talvez a grande diferença entre o disco e o concerto seja a troca de energia entre músicos e público que alimenta e retroalimenta todos os envolvido no processo fazer/ouvir música.    

Quais os planos futuros da banda?
Bruno Vitorino – Nosso foco agora será trabalhar em cima do disco. Tocar o máximo que for possível em Pernambuco e levar nosso trabalho para outros estados onde percebamos interesse por nossa música, como São Paulo por exemplo. Entrar em contato com festivais de jazz dentro e fora do Brasil. Circular! Novas composições também começam a aparecer, resultado natural de nossa convivência e da troca de idéias, e já estamos arranjando esses temas para tocá-los e tudo mais. Se brincar, neste ano entraremos em estúdio novamente para gravarmos um novo disco.

LANÇAMENTO
O álbum será lançado neste domingo (15/01), no auditório da Livraria Cultura, às 17 h. O ingresso é 1kg de um alimento não-perecível. Quem quiser se familiarizar com as composições da banda pode acessar a página do Nebulosa no Facebook http://www.facebook.com/nebulosaquinteto

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