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CHICO ANYSIO E SEU HUMOR DANÇANTE

Por Jarmeson de Lima

Todos lembramos de Chico Anysio por conta de seus mais de 200 personagens criados no humorismo brasileiro. Mas a carreira deste gênio, sem falsa modéstia, vai além da dramaturgia cômica.

Sua produção musical vem desde cedo com a composição de letras que foram escritas e posteriormente gravadas por Dolores Duran, Trio Irakitan, Dalva de Oliveira, Elza Soares, Benito de Paula e Elis Regina. No final dos anos 60, pouco antes de assinar com a TV Globo, onde teria seu momento mais célebre e criativo, ele se aventurou como cantor e intérprete. O nome do disco foi batizado como “Chico Anysio inaugura o humor dançante“, uma provocação com os demais humoristas que lançavam discos de piadas e causos mas que não tinham a sua popularidade.

Apesar de sua extrema versatilidade vocal e criatividade, o disco não foi bem aceito pela crítica e vendeu pouquíssimo. Felizmente ele deixou de investir na música por conta disso. Ainda teve tempo para gravar ao lado do igualmente sagaz Arnaud Rodrigues dois discos com a alcunha de “Baiano e os Novos Caetanos”.

Mas ao contrário do que pudesse parecer, a banda não era um deboche com relação a Tropicalia ou aos Novos Baianos. Pelo contrário. Em época de forte repressão e censura, com a ajuda do sarcasmo e do bom humor, falavam das delações na ditadura em “Vô batê pa tu” e ironizavam o suposto milagre econômico brasileiro em “Urubu tá com raiva do boi”.

E sem falar que esta parceria entre Arnaud e Chico era bastante frutífera musicalmente, com faixas que transitavam entre o samba-rock, a cantoria nordestina e a música rural. Uma pena que durou pouco. Depois do fim da “banda”, Chico Anysio ainda gravou mais alguns discos incorporando personagens populares como Roberval Taylor, Azambuja e Coalhada, com músicas geralmente relacionadas aos quadros e aos programas que eram exibidos na época na TV.

Hoje, 23 de março de 2012, dia em que Chico Anysio se foi desta vida, nada mais justo do que aqui também relembrarmos o legado dele na música brasileira. Por tudo isso, descanse bem, Chico Anysio!

01 comentários

  • Parabéns Jarmeson, belo texto!

    Marly Nunes 24.03.2012 10h00

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