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IMERSÃO DO BOOGARINS EM BELO JARDIM RESULTA EM GRAVAÇÕES INÉDITAS

Durante a terceira edição do festival No Ar Coquetel Molotov em Belo Jardim, a banda goiana Boogarins foi até o IFPE – Instituto Federal de Pernambuco – para uma imersão de dois dias com o público que se inscreveu gratuitamente para a oficina com o grupo. A proposta do encontro, realizado com incentivo do Instituto Conceição Moura, foi gravar canções originais com o grupo num processo captado totalmente por celular. Entre fãs de música de cidades vizinhas e músicos da cena de Belo Jardim, a banda contextualizou o processo dos seus três álbuns, analisando aspectos importantes da produção musical para resultados mais satisfatórios para músicos e compositores.

Ao final da oficina, foram produzidas três músicas com a participação de músicos e instrumentistas da cidade, além de alunos do IFPE e integrantes da banda. As três faixas, ainda sem títulos, foram captadas e editadas por Benke Ferraz, guitarrista da banda goiana, junto com os participantes, replicando parte do processo de gravação usado pela banda na produção de seu último álbum “Lá Vem a Morte“, onde várias faixas tiveram vocais e samples gravados em iPhone.

David Henrique “Birigui”, da banda Virgulados, uma das bandas da cidade a movimentar a cena de Belo Jardim, se mostrou bem satisfeito com a participação nesta atividade. “Foi uma experiência incrível e necessária para quem produz música”. Birigui batizou informalmente a imersão de “Oficina de Artesania Musical” segundo ele pelo “fator orgânico de como as músicas foram captadas, recicladas e reinventadas a partir de coisas simples”, reflete.

Gravações – A primeira faixa, que começou com um recorte de poucos segundos de um solo de bateria de Ynaiã Benthroldo (atual baterista do Boogarins, mas que completa quase uma década de seu emblemático álbum de estreia com a Macaco Bong, “Artista Igual Pedreiro”), ganhou ares de “dub” com a linha de baixo gravada por Raphael Vaz (Boogarins / Luziluzia) e a melodia vocal improvisada por Fernando Almeida, o Dinho, vocalista e letrista de grande parte das canções do grupo goiano. A participação local na primeira canção ficou por conta de Pierre Tenório, artista que também se apresentou no palco do festival e deu a faixa toques do pop e R&B americano.

A segunda e terceira faixa foram gravadas no segundo dia de imersão, com maior interferência dos participantes, como guitarras de Gleidson Lamartine e percussão de Heligeisson Feitosa (ambos subiram ao palco do festival com Pierre Tenório) na segunda faixa, que foi cantada por Ana Cordeiro. A poesia de David Henrique, vocalista do Virgulados, e a bateria de Hannah Carvalho do selo recifense PWR, deram uma cara mais rock pra faixa mais agressiva da imersão.

Sobre o fato de gravar com dispositivos móveis fora do estúdio, David Henrique analisa: “Achamos massa essa autonomia de não ter que depender da disponibilidade de um estúdio pra gravar, além de ter o domínio da estética da música através da mixagem”.

A proposta da imersão de gravação com Boogarins, antecedendo a apresentação deles em Belo Jardim, surgiu depois que Benke fez parte da comissão julgadora da seletiva que o Festival No Ar Coquetel Molotov promove para a inclusão de artistas e bandas do agreste na sua programação. “Praticamente todo compositor já se viu nesse dilema: depois de ficar muito tempo maturando e lapidando sua música, chega em um ambiente novo que não domina, com tempo limitado e tendo como única ponte entre a própria arte e o registro eterno dela uma pessoa que pode não ser a mais indicada para aquela música ou até mesmo, o que é muito comum, está lá só pra fazer bater ponto e não para colaborar artisticamente. Por isso achamos interessante contar essa história de como nosso som e estética foi baseada num lance totalmente caseiro e espontâneo”, explica Benke. “Por essas e muitas razões gravar em casa é massa. E já estamos gravando”, completa o músico Birigui.

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