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MELHORES DE 2011 (POR STEFANIE GASPAR E MARCIO LARANJEIRA)

Chegou um momento bem bacana de final de ano. É quando fazemos nossas listas e relembramos o que rolou de bacana no ano que chega ao final. Pedimos a diversos amigos e colaboradores suas listas pessoais na música e aqui vamos publicando até o final de 2011. Confiram aqui as primeiras listas!


Melhores momentos de 2011 com a música
Por Stefanie Gaspar (Repórter da revista +Soma)

1. Kanye West no SWU
Depois de um 2010 ouvindo sem parar o disco novo do gêniozinho musical mais norte-americano do planeta, Kanye West, foi uma surpresa agradável ver o nome do rapper na escalação do SWU deste ano. Embora disputasse o posto de headliner do festival com outro gênio do rap, o cafajeste boa praça e fazedor de hits Snoop Dogg, algo me dizia que o show do álbum My Beautiful Dark Twisted Fantasy seria inesquecível. E foi – a beleza de um repertório formado por hits antigos como Gold Digger, Heartless, Run This Town, pérolas atuais como All Of The Lights, Power e Dark Fantasy e momentos de catarse-artística-autonada com Lost in The World e Runaway transformou o show em uma apresentação única de arte contemporânea e história do hip hop. Não vou esquecer tão cedo esse momento.

2. Conexão Vivo em Belém
Além da sempre agradável jornada de cobrir um festival de música brasileira que equilibra novos talentos com mestres da tradição local, o Conexão Vivo em Belém foi um momento importante de 2011 por trazer um toque regional para uma cobertura musical brasileira que tradicionalmente olha apenas para o que acontece dentro do eixo Rio/SP. Com uma programação focada em artistas importantes de Belém, o festival obriga a crítica musical a olhar além de sua zona de conforto e contextualizar a obra desses músicos em uma tradição de música brasileira que está em constante mutação. Além de trazer shows ótimos de Gaby Amarantos, Dona Onete, Pinduca, Metaleiras da Amazônia e Lucas Santtana, o Conexão Vivo foi uma oportunidade única de visitar uma aparelhagem e entender a cultura de reciclagem e reinvenção constante do cenário tecnobrega.

3. Ogi e Zomby: os dois álbuns do ano
Nacional: Embora o grande destaque da crítica deste ano no que diz respeito ao rap tenha sido o álbum Nó Na Orelha, do Criolo, meu grande amor este ano foi o disco Crônicas da Cidade Cinza, de Rodrigo Ogi. Flow incrivelmente coeso (provavelmente um dos álbuns mais fluidos do ano), boas ideias e uma narrativa incrível fazem com que este seja o lançamento nacional mais importante do ano na minha lista. No álbum, Ogi foge das definições habituais de SP e cria uma cidade livre de estereótipos, mostrando em suas letras a batalha perene por trampo, respeito, segurança e uma sobrevivência com um mínimo de amor. Grande contar de histórias, Ogi criou uma narrativa inédita sobre SP – que tem cara de romance, mas na real é um gibi preto e branco de contradições e desilusões diárias.
Gringo: Música eletrônica para quem ama os meandros mais minimalistas e contidos do dubstep, Dedication, novo álbum do produtor Zomby, é o meu ponto alto do ano no quesito lançamentos internacionais. Depois do peso e das batidas descompassadas em ode ao hardcore rave de Where Were U in 92, Zomby retorna aos estúdios com a mesma paixão, mas desta vez extravasando de maneira mais contida e menos apoteótica. Um daqueles álbuns lindos que não perdem nunca a validade.

4. O show de despedida do LCD Soundsystem
Uma das bandas mais importantes da minha vida na hora de unir texturas e sonoridades do rock e da música eletrônica no mesmo pacote, o LCD Soundsystem encerrou sua história este ano com uma série de shows – um deles, que rolou aqui em SP em fevereiro, foi um dos momentos mais catárticos do meu 2011, mostrando a força que uma paixão musical pode fazer na vida de uma pessoa e as mudanças que pode trazer em um momento específico da história da música. O show, assim como seu álbum correspondente, This is Happening, trouxe de tudo – referências do synth pop do Human League, texturas sobrepostas, timbres do techno, vocais dramáticos e um amor por melodias fortes.

5. Primavera Sound com Odd Future, Battles, James Blake, PJ Harvey e a magia do Mediterrâneo
Em maio deste ano, embarquei para Barcelona para cobrir a festança de cinco dias do Primavera Sound, festival que abre a maratona musical do verão europeu. Com um line-up absurdo que reunia desde o retorno do Pulp, o show novo de PJ Harvey, a estreia do garoto James Blake em festivais e a fúria incontida do swag do Odd Future até a aparição do P.I.L e da psicodelia do Animal Colletive, o Primavera Sound mostrou que é um dos festivais mais incríveis do ano, com a vantagem de ser em um lugar lindo na beira do Mediterrâneo. Destaque para dois shows apoteóticos do Caribou (que tem na bagagem um dos álbuns mais legais de 2010, Swin), uma apresentação para 50 pessoas dos rappers do Das Racist (tá na hora de trazer pro Brasil!), a beleza do dusbtep pressurizado de James Blake e a delicadeza da apresentação da PJ Harvey.



Top 5 Discos e Shows de 2011

Por Márcio Laranjeira (Produtor do selo Lovers & Lollypops – Portugal)

Durante um 2011 dividido entre o carnaval no Recife e um verão que só acabou em Outubro em Portugal, alguns discos rodaram num loop quase irritante para as restantes pessoas que habitaram os mesmo espaços que eu. Muitos outros que não constam na lista, como o fantástico álbum do tuga Filho da Mãe “Palácio”, os nossos The Glockenwise com “Building Waves” ou os Wooden Shjips com com “West” terminam o ano com um espaço grande no meu coração, mas como era um top 5, são estes 5 que entram. Felizmente também foi um ano rico em shows, tanto em festivais como em salas, em Portugal como no Brasil. Shows caóticos, intensos e até místicos. Houve de tudo, e assim sendo só dá para encerrar o ano com um sorriso na cara.

Top 5 discos

Fucked Up – David Comes to Life
Black Lips – Arabia Mountain
Graveyard – Hisingen Blues
SBTRKT – SBTRKT
Unknown Mortal Orchestra – Unknown Mortal Orchestr EP

Top 5 Shows
Lobster @ Milhões de Festa
Battles @ Paredes de Coura
No Age @ Paredes de Coura
Akron Family @ Hard Club
Acid Mothers Temple @ Amplifest

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