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Lenne Ferreira _ “Não me olhe assim, eu sou igual a você”

Uma reflexão sobre a origem e os efeitos das “Diss” no universo Hip Hop

Ouça o texto abaixo aqui:

O Rap me formou antes mesmo do curso superior ser uma alternativa acessível. Assim como a muitos jovens, me resgatou da colonialidade que molda nossos pensamentos e ações. Eu devo muito ao movimento Hip Hop e, por isso, agradeço por cada lição colocando minha escrita e produção criativa a favor de seu fortalecimento. A citação, que intitula esse artigo, trecho do clássico “Fórmula Mágica da Paz” (Sobrevivendo no Inferno, 2012), dos Racionais MC’s, me ensinou muitas coisas, ainda ensina. A letra parece recontar o cotidiano que circundou a minha adolescência e de milhares de favelados do Brasil. A música mora na minha playlist predileta e, ao ouví-la enquanto escrevia, me apontou uma direção para seguir nesse texto que é, antes de tudo, a humilde tentativa de refletir sobre as Diss dentro de um movimento protagonizado por corpos e corpas pretos (as) marginalizados (as) por uma estrutura racista e misógina. Nesse contexto de violências simbólicas e escancaradas que a canção dos quatro Racionais retrata muito bem, me aventuro a buscar entender a origem e os efeitos das Diss no universo do Hip Hop.

Antes, é preciso negritar: a compreensão de qualquer fenômeno cultural envolve muitas camadas e percursos. Por isso, esse texto também não pretende superar nada além da minha necessidade de problematizar e aplacar uma inquietação antiga. Como consumidora que acompanha e integra o movimento Hip Hop de Pernambuco há mais de 20 anos, pensar sobre o tema me desafia a tomar o cuidado extremo de não reforçar/reproduzir preconceitos e acabar por fazer uma leitura rasteira sobre algo que atravessa gerações desde os primórdios do Hip Hop, nos anos 70. Para além de uma vivência moldada pela cultura de rua, como jornalista e produtora preta e favelada, que, antes do curso superior, já havia sido formada pelas linhas de muitos (as) MCs, me sinto provocada a pensar sobre as Diss Track, como também é conhecido esse “subgênero” do Rap.

Para falar do estilo, que tem como principal característica o ataque a outro (a) artista, é preciso retornar à sua origem, nos guetos do Bronx, Estados Unidos. As primeiras gravações de Rap que se tem notícia eram focadas na figura do DJ, destacando o quanto ele era insuperável. Aos poucos, os MCs também entraram na onda passando a exaltar suas próprias habilidades. É preciso perceber que essa construção está relacionada com o perfil social dos indivíduos que compunham o movimento Hip Hop, em sua maioria, jovens negros e pobres pertencentes a comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova Iorque. Portanto, representar sua quebrada e provar superioridade virou exercício para o resgate da auto estima. Em meio à violência policial, brigas de gangues e o cenário de miséria, as batalhas entre crews surgem como alento. Desde os tempos dos precursores do Hip Hop, nomes como DJ Kool Herc e Afrika Bambaataa, este último responsável pela fundamentação de seus quatro elementos (o rap, o DJing, breakdance e o graffiti), a disputa era um elemento presente. Embora o objetivo dos encontros fosse criar momentos de diversão para a juventude, no final das contas, todo mundo queria ser “o rei das ruas” fosse em batalhas de breaking ou freestyle. Vencer representava status para um bairro/região.

A primeira Diss conhecida nasceu de uma batalha de Rap, em 1981, entre Busy Bee e Kool Moe Dee, no Harlem. Mas foi nos anos 90 que elas ganharam grande popularidade graças à rivalidade entre os rappers e ex-amigos Tupac Shakur (Costa Oeste) e The Notorious BIG (Costa Leste). Conhecer a história de uma das mais emblemáticas brigas do mundo do Rap é importante para situar o quão longe a hostilidade entre integrantes do movimento Hip Hop pode ir. A rixa entre os dois rappers começou quando Tupac foi baleado em um estúdio da Bad Boy Records, em 1994. Logo após a tentativa de homicídio, o rapper foi sentenciado a quatro anos de prisão por assédio sexual. Na cadeia, ele concluiu que Biggie, que estava no andar superior do local onde Tupac foi alvejado, sabia da emboscada. No ano seguinte, Notorious B.I.G. lança a canção “Who Shot Ya?” (Quem atirou em você?) levando muita gente a crer que o cantor zombou de forma indireta dos tiros que feriram Tupac.

Tupac Shakur e Notorious BIG

O tensionamento entre os dois MC ‘s aumenta com a chegada de outro personagem na história, o empresário Suge Knight, dono da Death Row Records e integrante da gangue dos Bloods, de Los Angeles. Ele, que não só pagou a fiança de Tupac como ofereceu um contrato ao rapper, era inimigo declarado de Sean “Puffy” Combs, o dono da Bad Boy Records, responsável pelo sucesso do The Notorious B.I.G. Fora da prisão, sob a influência de Knight, Tupac lança uma resposta com aquela que se tornou a Diss mais famosa da história da música: “Hit Em Up”. Neste single, ele ataca Biggie chegando a afirmar que dormiu com sua mulher e também alfineta outros rappers da Costa Leste, o que contribuiu para o acirramento dos ânimos entre as duas regiões.

Nesse contexto de disputas, a grande mídia americana, hegemônicamente branca, aproveitou para vender manchetes sensacionalistas sobre a violência envolvendo as duas Costas. A importância e genialidade de dois grandes rappers foram ignoradas e apenas notícias enfatizando as desavenças ganharam destaque. Os executivos das gravadoras também usaram isso como uma oportunidade para impulsionar as vendas. A briga por mercado aliada ao estilo gangsta de vida e à intensa rivalidade serviu de pano de fundo para os assassinatos de Tupac (1996) e, posteriormente, de Notorious BIG (1997). Com as mortes dos dois grandes líderes, os ânimos foram “apaziguados” já que ambos “simbolizavam” esse clima de animosidade. Muitos fãs chegaram a acreditar que a atmosfera de disputa não passava de uma jogada de marketing. Segundo relatos da época, antes de ser morto, Tupac queria desmistificar essa guerra com um trabalho chamado “One Nation” (Uma Nação), que não chegou a sair do papel. Todos esses episódios foram tema de filmes e séries.

Enquanto pesquisava sobre toda essa história, me veio à mente estratégias escravocratas que fizeram e ainda fazem pretos (as) duelarem entre si e reproduzirem violências que também os abatem. Um comportamento que parece muito presente dentro do movimento Hip Hop. Apesar da formação política de Tupac, filho de Afeni, uma ex-integrante do Partido dos Panteras Negras, e de suas canções marcadas por denúncias, os resquícios de uma vida atribulada perpassam toda a sua obra. Em um cenário em que as opressões subalternizaram existências negras americanas, com seus direitos civis negados, a criminalidade se tornou o caminho mais acessível e manchou a trajetória de verdadeiros gênios da poesia de rua com sangue. Não é exagero afirmar que, inconscientemente, muitos dos nossos lutam uns contra os outros enquanto o sistema assiste e bota mais lenha na fogueira. Menos um preto no mundo não significa nada para quem nunca nos recebeu com “bem-vindos”.

Roxanne Shanté

E as mulheres? Apesar do apagamento que elas sofreram ao longo da história do movimento Hip Hop, como já pontuou a pernambucana Lívia Cruz em um som direcionado aos MC´s Costa Gold e Lucas Carlos, “elas estavam lá”. Não seria diferente em relação às Diss. Embora as motivações fossem diferentes, a rivalidade entre girls também pautaram linhas agressivas e de desclassificação umas contras as outras. No entanto, um dos exemplos mais icônicos foi dirigido aos homens. O ano era 1984 e a protagonista era a adolescente do Queens, Roxanne Shanté, à época com apenas 15 anos. Ela entrou para a história ao gravar “Roxanne’s Revenge”, um ataque pesado ao trio masculino UTFO. A música foi feita depois que o grupo cancelou uma apresentação ao vivo de última hora, deixando os produtores musicais Marley Marl e Mr. Magic muito chateados. A Diss, repleta de palavrões, foi um sucesso instantâneo que vendeu mais de 250.000 cópias. O contra-ataque durou todo o ano. Algo entre 30 a 100 discos do grupo com o tema Roxanne inundaram as ondas do rádio. Um capítulo que ficou conhecido como “Roxanne Wars”.

Outra famosa treta envolvendo rappers femininas girou em torno de uma importante representante da cena americana, Queen Latifah, que assinou a trilha sonora do filme “Set It Off”, de 1996, onde atuava como assaltante de banco. A faixa era “Name Callin” e fez com que MC Foxy Brown se sentisse ofendida, motivando uma diss resposta, que teve tréplica de Latifah. Famosas como Nicki Minaj e Lil ‘Kim, que questionou o sucesso da primeira quando ela estourou na cena, em 2009, também renderam muita repercussão. Lil acusou Minaj de roubar seu estilo “Barbie”, embora a cantora tenha feito covers de várias canções dela e a tenha citado como uma grande influência. A rivalidade cresceu, Minaj resolveu responder e Lil, que entrou “com os dois pé” lançando “Black Friday” com uma Minaj decapitada na capa.

Queen Latifah

A mídia também teve um papel determinante na acentuação das rixas entre as minas. Muitas capas foram vendidas a custo do xingamento que partiram de mulheres para outras mulheres. Não é novidade que a rivalidade feminina estrutura uma sociedade machista e aproveitar isso para lucrar é também sobre manutenção de poderes. “Vamos aguardar pelos próximos capítulos desta novela”, escreveu um site comentando outra treta famosa que tem Iggy Azalea e Azealia Banks como protagonistas. Mais recentemente, em 2018, uma atitude de Lil Kim mostrou que o avanço das ideias feministas também serviram para minimizar disputas entre as mulheres promovendo mais respeito entre elas. Em 2018, ao ser provocada por dois entrevistadores homens a falar sobre as tretas com Minaj, Lil respondeu: “Pare de me perguntar sobre qualquer rixa com garotas. O que ela fez, ela já fez, mas sabe o que mais? Eu desejo a ela o melhor. Eu já superei isso”.

“Descanse o seu gatilho”

Baco Exú do Blues

Ao longo da história do Rap nacional, as Diss também acentuaram divergências. Basta dar uma “googlada” para encontrar listas com as rixas mais populares. Rankings que incluem desde os grupos mais veteranos como Câmbio Negro, GOG, Dexter e Pavilhão 9 até nomes da “nova” safra como Baco Exú, Diomedes Chinaski, Emicida e C4bal. São inúmeros os exemplos de Diss que foram gravadas para expor, diminuir a capacidade criativa do outro, julgar escolhas e estratégias, apontar erros e agredir verbalmente. Por outro lado, as mulheres usaram as Diss como ferramenta de combate à misoginia (um movimento mais recente). Aliás, importante pontuar que, no caso da cena feminina do Rap brasileiro, as afrontas entre elas parecem mais discretas. É possível encontrar indiretas em algumas produções, mas nada que chegue aos níveis ofensivos que caracterizam, principalmente, as Diss masculinas. O apagamento das mulheres dentro do movimento pode ser um dos fatores que ajudaram a promover mais união entre elas, que precisam se apoiar umas nas outras para fazer volume na cena. O avanço do feminismo no Brasil também parece ser um dos elementos que promoveram mais empatia entre elas, mesmo, vale salientar, que nem todo mundo ande juntas por aí cantarolando de mãos dadas.

Por aqui, as Diss produzidas por homens geraram muita comoção junto ao público. Os motivos são os mais diversos, mas, com ou sem justificativa, os ataques também reverberam no cotidiano dos envolvidos. Para alguns, o estilo aquece o mercado da música Rap. Muitos nomes conquistaram mais atenção do público ao citar alguém muito conhecido. Foi essa estratégia que colocou 50 Cent, por exemplo, na boca dos jovens de Nova York ao gravar uma música falando mal de Jay Z. Na verdade, foi a Diss resposta que garantiu mais holofote para o artista, que ganhou a moral de ser citado por um dos mais importantes nomes do Rap do mundo.

“O Rap não é uma democracia. É um reino, onde o trono é disputado “no grito”

No artigo “Beefs – O Manual definitivo das Tretas no Rap”, VNS, colaborador do portal Black Pipe escreveu: “O Rap não é uma democracia. É um reino, onde o trono é disputado “no grito”. E, se isso realmente faz sentido, “Sulicídio”’, de Baco e Diomedes Chinaski pode ser um bom exemplo de trabalho que serviu para colocar os MC ‘s do Nordeste nos principais portais de Rap do Brasil. Nela, os dois artistas criticam a super valorização da produção do eixo Sul/Sudeste e a invisibilização de outras regiões do país. A Diss teve resposta do Nocivo Shomon que lançou “Dicarrego”, acompanhada por um clipe com sucessivas ameaças que seguem o mesmo tom das provocações feitas pelos MC ‘s nordestinos. Todos os envolvidos conquistaram likes e muita visibilidade. Se tem uma coisa que ganha atenção dentro da lógica de cultura de massa, são as tretas e isso independe de gênero musical.

Pensar sobre tudo isso me fez rememorar os preceitos que regem a cartilha do Hip Hop: “Peace, love, unity, and having fun” (Paz, amor, unidade e diversão). Seria uma utopia? A realidade mostra que, dentro e fora do Brasil, os ataques e ofensas já foram tão naturalizados que já chegaram a extrapolar os beats. Em Pernambuco, o clima de animosidade na cena Rap já registra episódios tristes. Um exemplo foi a agressão sofrida por Luiz Lins, há dois anos, quando estava de passagem em outra cidade no interior do estado, quando foi abordado por um grupo. Mesmo após o ato covarde, em um gesto de responsabilidade, o cantor preferiu silenciar e evitar a reação dos fãs. Eu estava no primeiro show, uma semana após o incidente do cantor, quando o vi subir no palco com uma bengala, ainda machucado. Foi um dos shows mais lindos que eu já assisti. Nesse dia, ele falou: “o diálogo é sempre o melhor caminho”.

“Os caras não se matam no tiro, mas resolvem na caneta”

Luiz Lins / Foto: Ramsés Ferraz

Longe de querer pagar de juíza e apontar quem tem ou não razão dentro dessa disputa de narrativas, minha reflexão caminha na direção de situar o Rap enquanto cultura de resistência, que nasceu como arte transgressora protagonizada por jovens negros em diáspora. Não tem como desconsiderar a linha de pensamento de quem enxerga as Diss como ferramenta para o confronto saudável de ideias e posições. “Os caras não se matam no tiro, mas resolvem na caneta”, ouvi de Rafael Gaijin, produtor e amigo. De qualquer forma, não dá para não pensar sobre a energia “desperdiçada” na maioria dos casos. Sobre os problemas sérios que esses mesmos MC ‘s (nem todos, é verdade) enfrentam em seus cotidianos, sobre o racismo estrutural e ambiental que alimenta a máquina de violação de direitos, ela também tritura sonhos. A munição apontada na nossa própria direção tira o foco do verdadeiro alvo, deseduca o público, faz com que uma mina preta profane o nome de uma das mais importantes ancestrais na luta pela liberdade do povo preto escravizado. “Aqualtune na vala”, escreveu uma MC na tentativa de atingir a produtora Aqualtune Produções, uma das únicas do Nordeste protagonizada por mulheres negras e que atua no agenciamento de artistas locais.

Como em qualquer outro campo da vida, no Rap, cada um tem sua versão dos fatos e todo mundo quer ter a palavra final. Réplicas e tréplicas alimentam a curiosidade do público em acompanhar as tretas, algo mais tonificado pela internet e pelas redes sociais. Aqui, eu preciso pontuar: Rap não é BBB! Sua estruturação a partir de rinhas e “Beffs” (espécie de provocação) precisa mesmo servir de cova para enterrar semelhantes? É bem verdade que acompanhar uma batalha de freestyle, onde muitos (as) gritam “SANGUE!”, mexe com os nossos sentidos. Mas há  um limite para a troca de farpas? É possível desafiar outro MC sem necessariamente ofender/diminuir? Alguns movimentos tem atuado no sentido de revisar esse formato e estimulando performances mais politizadas. Exemplos como o Recital Boca no Trombone, no Alto do Pereirinha, bairro de Água Fria, que preza pela troca de conhecimento, definindo temas sobre a atualidade para embasar as rimas improvisadas no Campo do Barreirão. Assim como eles, a Batalha da Escadaria, a mais antiga do Estado, que acontece no Centro do Recife, também elaborou regras que respeitam a cartilha dos Direitos Humanos. A metodologia é a mesma adotada pela Jornada de MC ‘s, que também não admite reprodução de preconceitos de qualquer espécie em seus campeonatos.

Como dito no topo dessa escrita, nenhuma teoria ou forma poderá dar conta de compreender um universo formado por indivíduos sociais tão diversos. Mas a complexidade do tema carece de reflexões que contribuam com a ampliação do conhecimento, elemento que fundamenta a cultura Hip Hop. Para evitar a morte precoce de outros Tupac ‘s e BIG’s. Para que artistas sensíveis como Luiz Lins não sejam mais espancados, nem a rivalidade feminina seja fonte de renda para projetos editoriais misóginos. Para que a memória ancestral de Aqualtune, bisavó de Zumbi dos Palmares, não seja desrespeitada. Precisamos, hoje, agora, repensar essa hostilidade exacerbada que reduz artistas com muita potência no gogó e nas ideias.

“Ninguém é mais que ninguém, absolutamente”, escreveu os Racionais na música que deu o pontapé inicial desse texto. Recorro, mais uma vez, às linhas da “Fórmula Mágica da Paz”, mesmo entendendo que a Paz é branca demais e que ela não existe nos territórios onde a falta de políticas públicas fazem “violência virar espetáculo”. E passo a bola para os “quatro pretos mais perigosos do Brasil”, assim como iniciaram, encerrar esse texto pontuando o que não poderia deixar de ser dito: “A gente vive se matando irmão, por quê? Não me olhe assim, eu sou igual a você. Descanse o seu gatilho, descanse o seu gatilho. Entre no trem da humildade, o meu rap é o trilho”.


Lenne Ferreira

Lenne Ferreira é jornalista e produtora cultural, fundadora do coletivo de jornalismo independente Afoitas, formado por comunicadoras negras. É co-fundadora da Aqualtune Produções, que viabiliza e projeta o trabalho de artistas periféricas, especialmente mulheres negras. Já atuou no jornal Diario de Pernambuco como repórter da Revista Aurora, cadernos Viver e Cotidiano. Atualmente, é editora regional da Alma Preta Jornalismo no Nordeste.

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