KARINA BUHR EM NOVA FASE

Por Tathianna Nunes

Selecionada pelo Natura Musical, Karina comemora os frutos de sua melhor decisão em sua carreira artística – investir no seu trabalho solo. Para esta missão, Karina convocou uma super banda formada pelos guitarristas Fernando Catatau e Edgard Scandurra, o trompetista Guilherme Mendonça (Guizado) e mais o tecladista André Lima, o baterista Bruno Buarque e e o baixista Mau. Esta formação foi a base de seus dois trabalhos solos – “Eu Menti pra Você” (2010) e “Longe de Onde” (2011). Ambos emplacaram nas listas entre os 10 melhores lançamentos musicais em seus respectivos anos nas principais revistas de música do Brasil. Com “Eu Menti pra Você”, Karina fez barulho. Com “Longe de Onde”, ela mostra que é muito mais que uma intérprete. Ela é uma compositora sensível, inteligente e inspirada.

A cantora chega no Recife na próxima semana para apresentar ao público pernambucano o show de seu segundo disco solo na sexta-feira (27/01) às 21h. Os ingressos estão à venda na Levi’s do Shopping Recife e na bilheteria do Teatro da UFPE, por R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira). Aproveitando ainda sua visita ao Recife, a cantora baiana criada em Recife e com residência em São Paulo irá bater um papo com fãs na Livraria Cultura, com entrada gratuita no dia 26 de janeiro às 18h. Conversei rapidinho com a cantora que confessa que já mentiu o suficiente.

Como você se prepara para subir no palco?
Normalmente a hora em que fico me maquiando é também a hora da concentração.

Cada show que vejo, você está mais radiante, segura. Você sente isso?
Adorei a notícia rs! Eu me levo pro palco do jeito que eu estiver no dia.
Acho isso importante. Não necessariamente o show vai ser melhor quando eu estiver bem, ou pior quando eu estiver mal, mas o jeito que estou na hora do show é o que vai dar o tempero do que vou fazer ali. Daí nunca um show exatamente igual ao outro. Acho que a segurança vem muito da repetição dos shows e da comunicação entre mim e os músicos e entre todo mundo da equipe. A turnê de Longe de Onde ainda está no começo, mas aí também é massa, porque a gente vai descobrindo as coisas ao vivo, junto com o público e também trazendo pra junto a quilometragem do show do Eu Menti pra Você.

O que te inspira na hora de criar suas músicas?
Tudo o que acontece comigo, ou que acompanho acontecer, me inspira. Prefiro não entender direito isso.

Você já mentiu para muita gente?
Só o suficiente. rs

Qual foi a mentira mais engraçada que você já contou?
O título do primeiro disco é uma mentira. Na verdade eu não menti pra você. Nem sei se isso é engraçado. rs

Como você conseguiu reunir tanta gente incrível para formar sua banda de apoio?
A gente tem uma ligação forte, de banda mesmo. Inclusive não consigo nem chamar de “banda de apoio” porque acho que a gente tá junto no palco e fazendo os arranjos das músicas. A gente se comunica de igual pra igual.
Durante mais de um ano, antes do primeiro disco, eu não queria guitarra nesse som e não tinha. Era baixo, bateria, teclado e trompete. A primeira formação era só com duas pessoas na banda. Otávio Ortega no teclado e programações e Guilherme Calzavara na bateria e trompete. Daí quis manter o trompete e convidei Guizado. Queria um baixo e convidei Mau e a bateria ia ser Gigante Brazil, mas ele resolveu ir embora do planeta antes…daí com Mau no baixo foi natural convidar Bruno Buarque, que eu já conhecia há muito tempo e admirava os dois tocando juntos, pois faziam isso em vários projetos. Hoje eles dois, com Duda Vieira na produção, formam junto comigo o núcleo do trabalho como um todo.
Pro disco convidei Catatau e daí eu resolveria depois se continuaria com a guitarra no show, já desconfiando que sim. Daí Edgard foi assitir um show (sem guitarra nenhuma) e no dia seguinte mandou um recado de myspace ( a gente não se conhecia pessoalmente) falando “se precisar de uma guitarrinha…”…era a última semana de gravação do Eu Menti pra Você e, precisar não precisava, mas não resisti e quis sim trazer a “guitarrinha” de Edgard pra junto rs. André Lima (teclado) entrou pra banda a partir da gravação de Longe de Onde. E é parte importantíssima do time também.

O que ter sido selecionada pela Natura Musical foi para você profissionalmente?
Foi a chance de gravar um disco e fazer um turnê inicial já com a estrutura garantida. Foi uma coisa muito legal pra dar andamento ao trabalho e fazer a usina moer, uma vez que todo investimento do primeiro disco e o processo todo, foi do próprio bolso, além da equipe toda ter feito tudo de graça ou por quase nada de grana. Esse patrocínio veio em ótima hora.

Que bandas brasileiras as pessoas deveriam prestar mais atenção?
Nos maracatus, caboclinhos, ursos, escolas de samba, reisados, orquestras de frevo, cacuriás…é preciso que, de uma maneira geral, se pare de olhar pra esses grupos com uma visão paternalista e careta.

Que música não sai da sua cabeça neste momento?
“O Saldo da Glória”, do Eddie.

Música é?
Um mistério.

Karina Buhr – Não Me Ame Tanto