Há pouco mais de um ano, o Conexão Vivo aportava em Salvador para apresentar ao público baiano uma nova forma de trabalhar com música, formação e desenvolvimento cultural. Na programação de shows, diversos nomes de destaque na cena cultural baiana e muitos convidados. A aposta deu certo e o público compareceu em massa para prestigiar as noites de show promovidas pelo programa.
Em 2011, o Conexão Vivo voltou a ocupar a Praça Wilson Lins, na Praia da Pituba, desta vez com outra leva de artistas locais que se apresentaram lado a lado com nomes já conhecidos do grande público. Mas nomes que fogem ao estereótipo que hoje o Brasil pode ter da chamada “música baiana”. Um rótulo tão abrangente e ao mesmo tempo tão pequeno para abarcar coisas tão diferentes como os artistas que passaram pelos dois palcos da Pituba entre os dias 11 e 14 de agosto.
O interessante diálogo entre o tradicional e o contemporâneo acontecia a todo instante, tendo nomes como Senta a Pua (MG) convidando Elza Soares (RJ) para um dos shows mais memoráveis destes quatro dias de show. Vale também destacar as novas parcerias que surgiram e os shows inéditos que foram proporcionadas pelo programa como o de Ortinho (PE) com Pepeu Gomes (BA), Celso Moretti (MG) com Edson Gomes (BA), Iva Rothe (PA) com Gerônimo (BA) e ainda Renegado (MG) com Lenine (PE), show que encerrou esta primeira etapa.
Outros encontros que tiveram início na etapa mineira do Conexão Vivo retornaram aos palcos em Salvador para apresentar ao público baiano estas bem sucedidas parcerias: Porcas Borboletas (MG) e Paulo Miklos (SP), Black Sonora (MG) e Di Melo (PE) e Gilvan de Oliveira com Armandinho (BA). Das 27 apresentações que ocorreram nos 2 palcos do Conexão Vivo na Pituba, 24 tiveram convidados e participações especiais. E os três shows que não tiveram participações especiais previstas, foram igualmente muito celebrados, uma vez que eram os shows de Gaby Amarantos (PA) e Lenine (PE).
Um ponto bastante positivo do Conexão Vivo foi o de valorizar o trabalho de novos nomes de cada local, colocando em sua programação artística diversos artistas que tiveram a oportunidade de mostrar seus trabalhos a um grande público. Neste sentido, artistas que surgiram há pouco tempo, mas que já vem se destacando na cena baiana como Sertanília, Grupo Percussivo Mundo Novo e Manuela Rodrigues, tiveram a chance de terem seus nomes projetados com mais peso ao terem como convidados, respectivamente, Nego Henrique e Emerson Callado (PE), Wilson das Neves (RJ) e Romulo Froes (SP).
Lembranças – Os momentos mais emocionantes desta etapa vieram no sábado com Elza Soares cantando “a capella” a música “Espumas ao vento”, sentada numa poltrona no palco após ter passado por uma cirurgia na coluna. “Eu me operei da coluna e não da voz”, ela fala do palco enquanto todos assistem e se emocionam com este exemplo de superação. Horas depois, A Cor do Som abria a porta da nostalgia para uma reunião ao vivo em sua formação original e que ainda se deu ao luxo de ter Pepeu Gomes como convidado surpresa.
Mesmo debaixo de chuva, numa noite de sexta em que parecia que o público não iria aguentar toda a programação, Gaby Amarantos mostrou ao vivo todo o poder do tecnobrega. Com uma voz potente e um batidão contagiante, o show de Gaby Amarantos foi para ficar na história com uma multidão cantando junto versos como “Ela tá beba doida”.
E o domingo, último dia de shows, foi de pura emoção com o encontro dos velhos reggaeiros Celso Moretti e Edson Gomes. Ambos já conheciam o trabalho um do outro, mas nunca tiveram a oportunidade de dividir o palco. Foi mais um momento único proporcionado pelo Conexão Vivo em Salvador e que o público aprovou com nota dez. Juntos, os dois cantaram os hits “Camelô”, “Samarina” e “Lili”. Em muitos momentos, eles nem precisavam cantar. O público se encarregava desta parte, com um dos maiores coros de reggae já vistos em Salvador.
Como diria o ditado popular, eram momentos de “emoção em uma só voz”. O Conexão Vivo na Pituba proporcionou momentos de harmonia entre públicos e artistas diferentes em torno de um mesmo som, de uma mesma música. Ao longo de cada dia foram mais de 20 mil pessoas assistindo e ao mesmo tempo entendendo que a música do Brasil passou por aqueles palcos.








