DO JURUNAS PARA O BRASIL: GABY AMARANTOS

Em meio as mais de 40 atrações que passaram pelo Conexão Vivo Belém, realizado entre os dias 27 e 31 de outubro, Gaby Amarantos, não raro, foi o nome que soou mais alto e agora tem seu eco ultrapassando as fronteiras do Pará, alcançando todo o Brasil. Mas nem mesmo status como “o furacão”, “a hegemônica”, “diva do Pará”, “musa do Tecnobrega”, “Beyonce do Brasil” ou “Lady Gaga da Amazônia”, atribuídos pela crítica musical nacional, são suficientemente capazes de personificar a tão singular e potente Gabriela Amaral dos Santos. A “boto rosa” para o Coquetel Molotov. Gaby Amarantos para o Brasil.

Realizando um show histórico na segunda noite do programa Conexão Vivo, Gaby mostrou porque ostenta tantos adjetivos. A Praça Dom Pedro II, ao lado da prefeitura de Belém, ficou pequena para receber as mais de 10mil pessoas que aguardavam pelo show da mais nobre representante da nova cena musical paraense. Em casa, a musa do Tecnobrega “dançou até o chão”, e com seus timbres envenenados e banda, dominou a multidão durante toda a apresentação. O público, visivelmente eufórico com a presença da musa, acompanhou em “coro e coreografia” todo o show.

Xirley – No clipe “Xirley”, lançado há pouco mais de um mês, Gaby traz a estética do tecnobrega renovada com ares cult, satirizando a lei dos direitos autorais e referenciando elementos típicos da cultura paraense, como a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. A letra de autoria do pernambucano Tiago Melo (Zé Cafofinho) parece ter encontrado em Gaby Amarantos a sua melhor personificação, “Saia vermelha, camisa preta, chegou para abalar”. Além disso, é dessa atmosfera do “eu vou samplear, eu vou te roubar” que a cena Tecnobrega tem sido produzida e divulgada pelo Brasil, sem as autorizações legais e burocráticas impostas pelo polêmico Creative Commons.

Primeiro disco – Aos 33 anos (com a vitalidade de 15) e com a carreira mais que consolidada no Norte-Nordeste do país, Gaby Amarantos agora se prepara para lançar seu primeiro disco “Treme”, com lançamento previsto para janeiro, já tem seu vírus espalhado pela terra do Círio de Nazaré e agora se pretende produto da cultura nacional. Gaby se prepara para alçar vôos mais altos e conquistar a outra parte do mainstream mais conservador, que ainda insiste em torcer o nariz para o estilo tecnobrega. Na fórmula do novo disco, permanece a batida eletrônica do tecnobrega, mas o diferencial se constitue a partir dos tradicionais paraenses, como a guitarrada, o carimbó e a lambada.

E no que depender do time escalado na produção do novo disco, o sucesso do Treme já é coisa garantida. A direção do disco é assinada pelo reconhecido produtor musical Carlos Eduardo Miranda, que lançando nomes como O Rappa e Skank, também é profundo conhecedor da música paraense. No disco, Gaby assina quatro composições, contando ainda com outras de autoria de Thalma de Freitas, Alípio Martins, Felipe Cordeiro e Iara Rennó. Para reforçar, Treme ainda traz participações vocais de Fernanda Takai (Pato Fu), Dona Onete (ícone da música popular paraense) e dos exóticos jovens da Gang do Eletro (afilhados da cantora). No primeiro Domingão do Faustão de 2012, o Brasil terá a chance de conhecer um pouco mais desse trabalho (especialmente neste domingo o Faustão não será uma programação tão patética).

Consciência – Formada na escola da vida, a doce e humilde Gaby Amarantos não precisou de diploma para mostrar o quão importante é a essência do ser humano e a consciência do lugar que ocupa. Como principal representante da música do Pará, a musa conserva valores que a tornam ainda mais autêntica e popular. Declaradamente contra a segregação do Pará, Gaby lamenta não poder levantar bandeiras e colocar a temática no palco, também consciente de que não deve fazer de ‘palanque’ suas apresentações artísticas. Em seus shows pelo Brasil, tem ajudado a divulgar novos nomes da cena musical paraense, abrindo espaço em seus shows e apadrinhando grupos, como a Gang do Eletro.

Na comunidade em que vive, na casa dos pais, no humilde bairro do Jurunas, periferia de Belém – local em que faz questão de continuar vivendo independente da situação financeira -, está sempre denunciando os problemas através do seu badalado twitter, pedindo soluções e cobrando explicações das autoridades. Na casa, vive com os pais , o filho de dois anos, que não foi reconhecido pelo pai, e outros cinco familiares, que ajudam a cuidar do pequeno David.

  1. Matéria linda, sou fã dessa mulher. Estive no show dela no conexão vivo e nunca tremi tanto na vida! hahaha.
    Só pra fazer uma ressalva: é “Círio” e não “Sírio” como tá na matéria. (Não me vejam como essas chatas que adoram apontar erros)

  2. Aos poucos aprendi a admirar essa menina guerreira e muito talentosa , carismática .Não curto o estilo musical mas paro sempre que posso pra ver os shows da Gaby pois ela tem diferencial de tudo que sempre vejo desse ritmo .
    Boa sorte Gaby e continue sendo esse sucesso .

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