THIAGO PETHIT MOSTRA SEU CANDY ROCK ABUSADO EM “ROCK’N’ROLL SUGAR DARLING”

“As pessoas precisam de um rockstar que batalhe nas mesmas ruas que elas. Precisam de um anjo sujo”, diz o ícone underground dos anos 60 Joe Dallesandro, na introdução do terceiro disco de Thiago Pethit, “Rock’n’Roll Sugar Darling”, para em seguida pedir: “Hey, Pethit, why don’t you show us some rock’n’roll sugar?”.

É a partir desse convite que surgem as 10 canções autorais do álbum, produzido por Kassin e Adriano Cintra (ex-Cansei de Ser Sexy). Se você ouviu o primeiro disco de Pethit, “Berlin, Texas” (2010), sumiu do planeta e só voltou agora, prepare-se porque “Rock’n’Roll Sugar Darling” é uma história bem diferente. Em seu novo trabalho, Pethit evoca o rock’n’roll clássico, mas entende o rock como provocação. Sem nostalgia ou devoção, apropria-se de sua origem marginal, afetada, sexy e debochada para chegar a canções em que guitarras rockabilly e tambores à la Bo Diddley convivem com batidas eletrônicas, elementos digitais e samples.

O álbum intensifica as escolhas estéticas do álbum anterior do cantor. Em Estrela Decadente (2012), ele rompeu com o estilo intimista de sua estreia para flertar com o glam rock. Agora segue explorando o terreno das sonoridades pulsantes. Aparecem aqui o imaginário grunge dos anos 90 (em 1992), a malícia implícita de Elvis Presley (Honey Bi), a sexualidade explícita de Iggy Pop (Quero Ser seu Cão), o voodoo de Screamin’ Jay Hawkins (Voodoo) e o deboche de Rita Lee e Tutti-Frutti (na faixa-título).

Já o universo da Factory de Andy Warhol, que aparecia em Estrela Decadente como inspiração, ressurge em Rock’n’roll Sugar Darling como presença física, na participação de Joe Dallesandro, ator-fetiche de Warhol, que introduz o disco em uma fala sobre o ruído de guitarras. Ícone da história do rock, Dallessandro personifica os valores transgressores que o disco busca resgatar – ele foi modelo da capa de discos dos Rolling Stones (Sticky Fingers, de 1971) e dos Smiths (The Smiths, de 1984) e ficou conhecido como o Little Joe da canção Walk on the Wild Side, de Lou Reed.

Sobre Thiago Pethit – Com formação em artes cênicas, Pethit estudou canto e composição em Buenos Aires e Paris. Lançou seu primeiro trabalho como músico em 2008, com o EP Em Outro Lugar. Sua estreia musical nos palcos foi no Studio SP, no mesmo ano, na abertura do show do compositor folk norte-americano Bonnie Prince Billy (Will Oldham). Depois de uma temporada de shows lotados na casa, o cantor abriu as apresentações de Jens Lekman, no projeto Invasão Sueca, e da banda Beirut, no Festival Coquetel Molotov, em Recife.