{"id":1366,"date":"2012-12-31T15:52:40","date_gmt":"2012-12-31T18:52:40","guid":{"rendered":"http:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/?p=1366"},"modified":"2013-03-29T22:32:24","modified_gmt":"2013-03-30T01:32:24","slug":"pos-mangue-to-be-or-not-to-be","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/pos-mangue-to-be-or-not-to-be\/","title":{"rendered":"P\u00d3S-MANGUE: TO BE OR NOT TO BE?!"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Ricardo Maia*<\/strong><\/p>\n<p>Estabelecidos X outsiders? Mangueboys X indies? Fde X PE? O que essas rixas podem nos revelar \u00e9 bastante limitador. O cen\u00e1rio musical pernambucano merece um tratamento um tanto quanto relativista, n\u00e3o no sentido niilista, mas na no\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica da an\u00e1lise. Apesar dessas limita\u00e7\u00f5es, esses tr\u00eas duelos tamb\u00e9m explicam a situa\u00e7\u00e3o atual da m\u00fasica em Pernambuco, de certa forma, como sintomas de um mal-estar.<\/p>\n<p>O embate entre estabelecidos e outsiders n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade na cena musical pernambucana, mas \u00e9 dissimulado, pouco percebido e debatido. E por que jogar com o conceito de P\u00f3s-mangue? Porque ele compreende uma for\u00e7a simb\u00f3lica significativa entranhada ainda no Manguebit ou Manguebeat, considerado \u00faltimo marco cultural representativo e aglutinador da arte pernambucana, mas especificamente da m\u00fasica. Assim como o conceito de P\u00f3s-moderno, o P\u00f3s-mangue carrega muitas d\u00favidas, e isso se reflete em v\u00e1rios sentidos no cen\u00e1rio musical pernambucano. Embora n\u00e3o se possa descarregar tudo no Mangue, pois outras vertentes que se tornaram institui\u00e7\u00f5es, como por exemplo: o frevo, o forr\u00f3 e o maracatu tamb\u00e9m dizem bastante dessa posi\u00e7\u00e3o outsider em que se encontra a m\u00fasica pernambucana atual, at\u00e9 mesmo o indie conseguiu sua parcela estabelecida na cultura do Estado.<\/p>\n<p>O P\u00f3s-mangue serve para entender melhor essa cena alternativa, a partir de um conceito mais plaus\u00edvel com a realidade. E atrav\u00e9s disso, uma s\u00e9rie de problem\u00e1ticas surgem, como: s\u00f3 o mito do Mangue \u2013 Chico Science \u2013 que conseguiu tensionar essa barreira com mais \u00eaxito entre o alternativo e o popular? O que veio com o P\u00f3s-mangue? Quais s\u00e3o suas refer\u00eancias, se for poss\u00edvel dizer isso? Momboj\u00f3 foi a refer\u00eancia direta a esse conceito, e talvez por esse isolamento n\u00e3o tenha sido poss\u00edvel o desenvolvimento de uma est\u00e9tica coletiva e de uma decorrente pol\u00edtica cultural. Ent\u00e3o, toda a culpa seria do Momboj\u00f3? N\u00e3o, pois os efeitos do Mangue na gera\u00e7\u00e3o seguinte n\u00e3o podem se restringir a um \u00fanico exemplo de carreira, por mais que tenha sido uma das bem sucedidas dessa turma do P\u00f3s-mangue. O P\u00f3s-mangue tamb\u00e9m pode ser compreendido nas carreiras solos de China, de Siba, de Otto, de Karina Buhr, at\u00e9 de Lirinha do Cordel do Fogo Encantado.<\/p>\n<p>O que \u00e9 percebido \u00e9 a perda de uma certa euforia de renova\u00e7\u00e3o carregada pelo Mangue em seus prim\u00f3rdios e no auge do movimento, pois essa repagina\u00e7\u00e3o enquanto proposta ainda \u00e9 proporcionada atrav\u00e9s dos mesmo agentes, que, de certa forma, ganharam status institucionais na cultura pernambucana. Por conta disso, houve uma certa ofusca\u00e7\u00e3o, ou mesmo ostracismo, dos artistas que vieram depois e que, de certa forma, atuam realmente na cidade e que podem representar essa retomada expressiva da m\u00fasica pernambucana. N\u00e3o quer dizer que esses artistas que j\u00e1 carregam um nome e um p\u00fablico significativo \u2013 apesar de morarem no Sudeste, h\u00e1 bastante tempo \u2013 perderam a criatividade ou o poder simb\u00f3lico com suas obras, mas sim que houve uma concentra\u00e7\u00e3o dessa for\u00e7a criativa. E a principal consequ\u00eancia disso \u00e9 uma divis\u00e3o mais evidente, e paradoxalmente mais dissimulada, entre os estabelecidos e os outsiders, pois a repagina\u00e7\u00e3o ficou interditada apesar dos esfor\u00e7os multiculturais das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas a partir do projeto conceitual do Manguebit e tamb\u00e9m da numerosa produ\u00e7\u00e3o da m\u00fasica pernambucana atual.<\/p>\n<p>O que fazer perante esse panorama? Quem ser\u00e1 o novo guia ou o her\u00f3i da m\u00fasica pernambucana P\u00f3s-mangue? Essas perguntas n\u00e3o podem nem devem ser respondidas em um artigo ou manifesto, ou em alguma previs\u00e3o ou aposta, ou em uma f\u00f3rmula qualquer de produ\u00e7\u00e3o ou de emancipa\u00e7\u00e3o, pois as solu\u00e7\u00f5es podem ser relativas e infind\u00e1veis. Com esse diagn\u00f3stico sint\u00e9tico \u00e9 relevante destacar a car\u00eancia de como escoar a produ\u00e7\u00e3o musical do Estado, que parece emperrar na distribui\u00e7\u00e3o de todo esse material. E da\u00ed v\u00eam os outsiders, de toda essa produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se organiza e que est\u00e1 fora da cultura oficial e dos circuitos de divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Seria por conta do isolamento dos m\u00fasicos, que acreditam somente no seu pr\u00f3prio trabalho gravado e divulgado na internet? Ou a causa seria a insufici\u00eancia de produtores para trabalhar com esse material outsider? Ou seriam os meios de comunica\u00e7\u00e3o que contribuem mais para essa estagna\u00e7\u00e3o? Ou o poder p\u00fablico que investe sempre nos mesmos artistas, que acabam se tornando praticamente funcion\u00e1rios p\u00fablicos? Todas essas perguntas justificam a situa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 um problema ou uma solu\u00e7\u00e3o. Nesse artigo foi poss\u00edvel elucidar um pouco mais o debate sobre a atual conjuntura da m\u00fasica pernambucana, mas s\u00f3 os agentes desse cen\u00e1rio que v\u00e3o poder, de fato, dar essas respostas, e na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O que fica no ar \u00e9 se ainda \u00e9 relevante a luta pelo novo ou pelo ovo ou mesmo pelo outro\u2026 ou pelo ouro?! A m\u00fasica em seu potencial est\u00e9tico n\u00e3o pode abdicar da pol\u00edtica e o embate n\u00e3o pode se limitar \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de uma cena para surgir outra nova. A luta seria pela retomada da for\u00e7a de repagina\u00e7\u00e3o da contemporaneidade que se faz mais do que necess\u00e1ria para a cultura pernambucana escutar, de fato, novas vozes e experimentar novos sentidos\u2026 novos agentes na m\u00fasica!<\/p>\n<hr>\n<p><strong>* Ricardo Maia \u00e9 mestre em Comunica\u00e7\u00e3o pela UFPE e m\u00fasico da banda <a href=\"http:\/\/exexus.blogspot.com\" target=\"_blank\">Ex-exus<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>(Texto publicado originalmente no blog <strong><a href=\"http:\/\/outroscriticos.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Outros Cr\u00edticos<\/a><\/strong>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ricardo Maia* Estabelecidos X outsiders? Mangueboys X indies? Fde X PE? O que essas rixas podem nos revelar \u00e9 bastante limitador. O cen\u00e1rio musical pernambucano merece um tratamento um tanto quanto relativista, n\u00e3o no sentido niilista, mas na no\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica da an\u00e1lise. 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