{"id":196,"date":"2012-06-16T03:33:55","date_gmt":"2012-06-16T06:33:55","guid":{"rendered":"http:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/?p=196"},"modified":"2012-07-15T11:05:36","modified_gmt":"2012-07-15T14:05:36","slug":"eu-queria-ter-visto-o-ave-sangria-na-epoca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/eu-queria-ter-visto-o-ave-sangria-na-epoca\/","title":{"rendered":"EU QUERIA TER VISTO O AVE SANGRIA NA \u00c9POCA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Jos\u00e9 Teles<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o vi o Ave Sangria tocar, nos idos dos 70.Lembro de ver alguns integrantes passando ali no come\u00e7o da Conde da Boa Vista, diante da Fun\u2019s, acho que se escrevia assim, uma lanchonete, que foi point da juventude bronzeada da Veneza Americana, no come\u00e7o da d\u00e9cada, (naquele tempo os recifenses, olindenses e jaboatonenses, iam pra praia). Ficava, mais ou menos, onde funciona hoje uma ag\u00eancia do Bradesco, perto da Sete de Setembro. O pessoal apontou, Ivinho, Almir, Agr\u00edcio Noya, e Rafles, acho (faz um data isto). Robertinho do Recife, era outro que quando passava na rua, era apontado por todos.<\/p>\n<p>Coincidiu que, no tempo em o Ave Sangria foi o Rolling Stones do Nordeste, eu fui morar no interior, Garanhuns, onde passei quase tr\u00eas anos. A turma de roqueiros da cidade curtia muito o Ave Sangria, o LP da banda rodava adoidado nas vitrolas. Quando voltei pro Recife, o AS n\u00e3o mais existia, mas a cena udigrudi continuava. Ainda peguei shows de Flaviola, lan\u00e7ando o disco com o Bando do Sol, o Batalha Cerrada, C\u00e3es Mortos, Show de Z\u00e9 Ramalho e Lula Cort\u00eas, Aratanha Azul, o show Vivo, de Alceu com Z\u00e9 Ramalho na Viola. <\/p>\n<p>Mas eu queria era ter visto o Ave Sangria, com a forma\u00e7\u00e3o original. Estar no Santa Isabel, no Perfumes Y Baratchos, nos dias 28 e 29 dezembro de 1975. \u201cPrepare-se que seu cora\u00e7\u00e3o vai sangrar\u201d, frase no cartaz, que comprei de Rafles, e que est\u00e1 envelhecendo na parede aqui de casa. Rafles, foi o \u201cministro da informa\u00e7\u00e3o\u201d do Ave Sangria, o conheci, no in\u00edcio dos anos 90, no bar de comida natural de Glauco, na rua da Saudade, quase esquina com Conde da Boa Vista, pertinho de onde ficava a Fun\u2019s. O bar, que Glauco fechou no come\u00e7o do anos 2000, era conhecido tamb\u00e9m por O M\u00e9dico e o Monstro, porque de dia era natureba roots, e \u00e0 noite, depois das 18h, valia tudo.<\/p>\n<p>Conheci depois Paulo Rafael e Almir por interm\u00e9dio de Lailson, que armava uns saraus psicod\u00e9licos musicais no anivers\u00e1rio dele. Com Ivinho, falei algumas vezes, numa destas para o livro Do frevo ao manguebeat. Israel e Agr\u00edcio, tamb\u00e9m foram umas poucas conversas. Com Marco P\u00f3lo aconteceu diferente, ficamos amigos, porque ele foi meu chefe no Jornal do Commercio, editor do Caderno C, durante alguns anos. Eu o conheci em meados dos anos 80, numa entrevista para um jornalzinho alternativo chamado Oxente (editado por Roberto Lima, que depois se afastaria do jornalismo) Enfim, n\u00e3o vi o grupo ao vivo, mas conheci todos os Ave Sangria. N\u00e3o apenas conheci como dei uma pequena contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria do grupo.<\/p>\n<p><iframe width=\"420\" height=\"345\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/yJi7keBy2SI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>No come\u00e7o dos anos 90, sempre que ia ao Rio passava pela casa de Paulo Rafael, no Jardim Bot\u00e2nico. Numa dessas visitas, ele me levou at\u00e9 um pequeno est\u00fadio que montou num dos quartos do ap\u00ea. Queria que ouvisse uma faixas do disco que estava gravando. Ouvia a m\u00fasica, quando meus olhos ca\u00edram numa fita K-7, com uma capinha na qual estampada com uma reprodu\u00e7\u00e3o, colorida, da foto que se tornou \u201ccl\u00e1ssica\u201d do Ave Sangria. Os caras sentados no ch\u00e3o, e no centro, uma menina misteriosa, ma non troppo, apenas de calcinha. <\/p>\n<p>Apanhei a fita, que estava em cima de uma caixa, salvo engano, com um pilha de tapes da marca Scotch. Mal acreditei que ali havia o registro do \u00faltimo, ou pen\u00faltimo show do Ave Sangria, seu canto de cisne, com perd\u00e3o do clich\u00ea. Perguntei a Paulo se podia levar a fita pra copiar (copiar, inclusive, a capinha, escrita \u00e0 m\u00e3o). Ele concordou, sem nem comentar sobre o K-7, que j\u00e1 se encontrava um pouco oxidado, mas com o \u00e1udio perfeito, era uma TDK alem\u00e3, daquelas tamporosas, que resistem at\u00e9 hoje.<br \/>\nIsto aconteceu em 1993, por a\u00ed.<\/p>\n<p>Em 2000, a Fundarpe, a fim de incentivar o efervescente cen\u00e1rio musical do estado, patrocinou, durante cerca de um ano, na Universit\u00e1ria FM, o projeto Sintonize Pernambuco, programas dedicados \u00e0 m\u00fasica pernambucana \u2013 os apresentadores foram eu, D\u00e9bora Nascimento, Paulo Andr\u00e9 Pires . Toquei o K-7 no meu programa, chamado Do Frevo ao Manguebeat, que ia para o ar \u00e0s quartas e s\u00e1bados \u00e0 noite. A fita rodou na \u00edntegra, com a presen\u00e7a no est\u00fadio de Rafles e Almir, que comentaram o show. Claro que foi um sucesso. Neguinho gravou, pirateou, blogueou. Bisei o programa, tantos os pedidos.<\/p>\n<p>Depois de ter passado para CD, entreguei a fita a Almir, n\u00e3o apenas porque ele pediu, mas tamb\u00e9m porque o dono, Paulo Rafael, desde o dia em que encontrei a fita nunca havia falado nada comigo sobre o assunto. Anos mais tarde, a gente conversava, acho que na cal\u00e7ada do Bar Central, sobre o Perfumes Y Baratchos, e comentei que o show era um hit na Internet, e ele: \u201cEu tinha gravado em K-7, em casa, n\u00e3o sei quem foi o filho da puta que roubou\u201d. Olhei pra ele, e confessei, mesmo sem ter afanado: \u201cFui eu\u201d.    <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns='http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg'%20viewBox='0%200%20300%20200'%3E%3C\/svg%3E\" data-lazy-src=\"http:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Telesinho-300x200.jpg\" alt=\"\" title=\"Jos\u00e9 Teles aos oito anos de idade (Arquivo Pessoal)\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"zeen-lazy-load-base zeen-lazy-load alignnone size-medium wp-image-197\" \/><noscript><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Telesinho-300x200.jpg\" alt=\"\" title=\"Jos\u00e9 Teles aos oito anos de idade (Arquivo Pessoal)\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"alignnone size-medium wp-image-197\" srcset=\"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Telesinho-300x200.jpg 300w, https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Telesinho-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Telesinho-365x243.jpg 365w, https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Telesinho-420x280.jpg 420w, https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Telesinho-150x100.jpg 150w, https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Telesinho.jpg 1522w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/noscript><\/p>\n<p><strong>* Jos\u00e9 Teles \u00e9 jornalista <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Teles N\u00e3o vi o Ave Sangria tocar, nos idos dos 70.Lembro de ver alguns integrantes passando ali no come\u00e7o da Conde da Boa Vista, diante da Fun\u2019s, acho que se escrevia assim, uma lanchonete, que foi point da juventude bronzeada da Veneza Americana, no come\u00e7o da d\u00e9cada, (naquele tempo os recifenses, olindenses e jaboatonenses, iam pra praia). 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