{"id":2480,"date":"2013-05-06T21:30:39","date_gmt":"2013-05-07T00:30:39","guid":{"rendered":"http:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/?p=2480"},"modified":"2013-05-06T21:30:39","modified_gmt":"2013-05-07T00:30:39","slug":"in-edit-brasil-2013-cobertura-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/in-edit-brasil-2013-cobertura-parte-1\/","title":{"rendered":"IN-EDIT BRASIL 2013: Cobertura &#8211; Parte 1"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Gabriela Alc\u00e2ntara<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 o dia 12 de maio, S\u00e3o Paulo recebe mais uma edi\u00e7\u00e3o do festival In-Edit Brasil, com uma s\u00e9rie de document\u00e1rios musicais retratando m\u00fasicos e bandas de diversas partes do mundo. As sess\u00f5es acontecem no MIS-Museu da Imagem e do Som, Cinesesc, Cinemateca Brasileira, Galeria Olido e Matilha Cultural. Gabriela Alc\u00e2ntara est\u00e1 acompanhando o festival e vai registrar aqui alguns dos filmes que viu.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o conta ainda com uma homenagem a Dick Fontaine, que estar\u00e1 presente em duas sess\u00f5es, e filmes como \u201cJards\u201d, de Eryck Rocha, e \u201cDeath Metal Angola\u201d, de Jeremy Xido. A programa\u00e7\u00e3o completa pode ser encontrada no <a href=\"http:\/\/www.in-edit-brasil.com\/2013\/\" target=\"_blank\">site do evento<\/a>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns='http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg'%20viewBox='0%200%20960%20540'%3E%3C\/svg%3E\" data-lazy-src=\"http:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/neilyoung.jpeg\" alt=\"\" title=\"neilyoung\" width=\"960\" height=\"540\" class=\"zeen-lazy-load-base zeen-lazy-load alignnone size-full wp-image-2481\" \/><noscript><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/neilyoung.jpeg\" alt=\"\" title=\"neilyoung\" width=\"960\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-2481\" \/><\/noscript><\/p>\n<p><strong>\u201cNeil Young: Journeys\u201d<\/strong><br \/>\nEntre os riscos de se fazer um document\u00e1rio musical, est\u00e1 um t\u00e3o leviano quanto recorrente: aquele que acontece quando o realizador deixa-se levar pela performance do(s) m\u00fasico(s) ali retratados, e d\u00e1 menos import\u00e2ncia \u00e0 hist\u00f3ria que se prop\u00f4s a contar. Porque sim, h\u00e1 diferen\u00e7a entre um DVD de show e um filme que acompanha uma turn\u00ea ou um concerto espec\u00edfico, mas que inclui em sua narrativa historietas que d\u00e3o um ar mais interessante ao document\u00e1rio. Infelizmente, em seu terceiro filme sobre o amigo Neil Young, Jonathan Demme  (\u201cO Sil\u00eancio dos Inocentes\u201d) acaba caindo nesse erro, e ao escolher uma montagem que privilegia mais o show de Young no Massey Hall, este perde a for\u00e7a que teriam os relatos do m\u00fasico acerca de sua rela\u00e7\u00e3o com sua cidade natal, Omemee (Canad\u00e1).<\/p>\n<p>De in\u00edcio, a proposta do document\u00e1rio \u00e9 muito clara: com uma c\u00e2mera na m\u00e3o, Demme \u00e9 levado por Young e seu irm\u00e3o pela estrada que percorre Omemee e vai at\u00e9 Toronto, onde o m\u00fasico far\u00e1 um show no Massey Hall. Ao longo do trajeto, Young lembra de in\u00fameras hist\u00f3rias de sua inf\u00e2ncia, desde as mais l\u00fadicas, como quando ele fala que dormia em uma barraca de camping no ver\u00e3o, ao lado de casa, para cuidar de suas galinhas, at\u00e9 as mais tristes, quando Young e seu irm\u00e3o lembram do inc\u00eandio que levou a casa de seus pais.<\/p>\n<p><iframe width=\"440\" height=\"250\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_JIFEqfd2ns?feature=player_embedded\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Apesar da beleza dos depoimentos dados por Neil Young, o filme acaba carregado pelo show, filmado principalmente com c\u00e2meras de baixa resolu\u00e7\u00e3o e em \u00e2ngulos um tanto estranhos, que por vezes funcionam e por outras chegam a incomodar o p\u00fablico. Apesar disso, a grandeza do pr\u00f3prio m\u00fasico e a sua performance no palco n\u00e3o deixam que esse filme seja tedioso (fosse outro personagem, isso poderia ter acontecido facilmente). Estas filmagens trazem para a tela momentos belos, como a performance de \u201cLeia\u201d, m\u00fasica que Young comp\u00f4s para a sua neta, e \u201cOhio\u201d, que vem sobreposta por imagens de arquivo, que mostram a Guarda Nacional dos Estados Unidos atirando contra estudantes da Universidade Estadual de Kent, que protestavam contra a Guerra do Vietn\u00e3. O confronto acabou com a morte de quatro universit\u00e1rios, que tamb\u00e9m foram homenageados no document\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao final da viagem \u2013 e do show \u2013 o que fica \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de que Young teria muito mais hist\u00f3rias a contar (o que poder\u00e1 render mais um document\u00e1rio a Demme), mas sua narrativa acabou sendo ofuscada pelas pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es. O document\u00e1rio acaba, com isso, achando um p\u00fablico restrito apenas para os f\u00e3s de Neil Young, enquanto os demais espectadores (n\u00e3o t\u00e3o f\u00e3s, ou que n\u00e3o conhecem a obra do m\u00fasico) correm o risco de se sentir entediados. Com 87 minutos de dura\u00e7\u00e3o, o longa \u201cNeil Young: Journeys\u201d, ser\u00e1 exibido novamente na quarta-feira (08), \u00e0s 20h, no Museu da Imagem e do Som (MIS).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns='http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg'%20viewBox='0%200%20750%20500'%3E%3C\/svg%3E\" data-lazy-src=\"http:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Os-Mulheres-Negras.jpg\" alt=\"\" title=\"Os-Mulheres-Negras\" width=\"750\" height=\"500\" class=\"zeen-lazy-load-base zeen-lazy-load alignnone size-full wp-image-2482\" \/><noscript><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Os-Mulheres-Negras.jpg\" alt=\"\" title=\"Os-Mulheres-Negras\" width=\"750\" height=\"500\" class=\"alignnone size-full wp-image-2482\" srcset=\"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Os-Mulheres-Negras.jpg 750w, https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Os-Mulheres-Negras-300x200.jpg 300w, https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Os-Mulheres-Negras-365x243.jpg 365w, https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Os-Mulheres-Negras-420x280.jpg 420w, https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Os-Mulheres-Negras-150x100.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/noscript><\/p>\n<p><strong>&#8220;M\u00fasica serve pra isso&#8221;<\/strong><br \/>\nPor sua vez, o longa \u201cM\u00fasica serve pra isso: Uma hist\u00f3ria dos Mulheres Negras\u201d consegue carregar o p\u00fablico ao longo de todo o filme. Realizado quase sem verba pela dupla mineira Bel Bechara e Sandro Serpa, o document\u00e1rio conta um pouco da hist\u00f3ria de outro casal, formado por Mauricio Pereira e Andre Abujamra, os tais Mulheres Negras, a terceira menor big-band do mundo, e uma das bandas mais interessantes do cen\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<p>Contando com a excentricidade dos m\u00fasicos, o document\u00e1rio se vale n\u00e3o s\u00f3 de depoimentos de f\u00e3s e parceiros, como Wandi Doratiotto \u2013 que chega a cantar uma m\u00fasica pedindo a volta dos Mulheres, que se divorciaram no final dos anos 1980, mas que j\u00e1 est\u00e3o de volta aos palcos. Entre gargalhadas com os depoimentos dos pr\u00f3prios Pereira e Abujamra, um dos momentos mais divertidos do longa \u00e9 o relato sobre a batalha com outra banda dos anos 1980, \u201cOs Guitarras Fantasma\u201d. O duelo, que aconteceu no Sesc, teve como \u00e1rbitro Regina Cas\u00e9 (que chegou a tirar a calcinha durante a apresenta\u00e7\u00e3o) e contou tamb\u00e9m com a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, que jogou avi\u00f5es de papel nos m\u00fasicos (aparentemente, um momento de realiza\u00e7\u00e3o para Andre Abujamra).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de divertir, \u201cM\u00fasica serve pra isso\u201d tem m\u00e9rito tamb\u00e9m por trazer para o p\u00fablico uma banda t\u00e3o importante quanto pouco conhecida, e n\u00e3o por acaso: gra\u00e7as ao tom exc\u00eantrico presente tanto nas can\u00e7\u00f5es quanto no vestu\u00e1rio e na performance do palco dos Mulheres, Abujamra e Pereira podem tanto cativar quanto assustar o p\u00fablico menos preparado. Tamanha criatividade vem de v\u00e1rios pontos da pr\u00f3pria personalidade dos dois m\u00fasicos, alguns dos quais s\u00e3o revelados ao longo do filme. <\/p>\n<p><iframe width=\"440\" height=\"250\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jc8y3aTd4qg?feature=player_embedded\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio, por exemplo, Pereira d\u00e1 um depoimento que n\u00e3o s\u00f3 esclarece sobre o estilo dos Mulheres, mas tamb\u00e9m deixa uma pulga atr\u00e1s da orelha daquele espectador \u201ccult\u201d mais conservador: com seguran\u00e7a, ele fala que Michel Tel\u00f3 \u00e9 m\u00fasica, tudo \u00e9 m\u00fasica, e m\u00fasica boa, desse modo, tudo \u00e9 influ\u00eancia para a dupla.<\/p>\n<p>Seguindo uma linearidade, que vai desde o encontro de Abujamra e Pereira em um curso de tambor africano, passando pelo primeiro show da dupla \u2013 em uma biblioteca infantil, assistido por apenas seis pessoas, entre as quais o produtor Pena Schmidt, que na \u00e9poca trabalhava na Warner e estabeleceu o contrato da dupla com a gravadora \u2013 at\u00e9 a separa\u00e7\u00e3o dos Mulheres, o document\u00e1rio retrata o impacto de uma dupla de cientistas malucos da m\u00fasica na m\u00fasica brasileira dos anos 1980. <\/p>\n<p>Na busca por cantarem m\u00fasica pop pra ficarem ricos e xaropes, os Mulheres Negras acabaram mostrando para que serve uma m\u00fasica, gerando uma antropofagia rica, presente tamb\u00e9m em movimentos como a Tropic\u00e1lia e o Manguebeat. Com a estreia do document\u00e1rio no momento em que a dupla volta \u00e0 ativa, fica a torcida para que os m\u00fasicos cutuquem mais uma vez o comodismo que parece querer tomar conta da m\u00fasica brasileira, mostrando que \u00e9 poss\u00edvel fazer muito em um pequeno \u201claborat\u00f3rio de Santa Cec\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p><strong>* A rep\u00f3rter agradece \u00e0 assessoria de imprensa do evento pelo convite para ver as sess\u00f5es.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gabriela Alc\u00e2ntara At\u00e9 o dia 12 de maio, S\u00e3o Paulo recebe mais uma edi\u00e7\u00e3o do festival In-Edit Brasil, com uma s\u00e9rie de document\u00e1rios musicais retratando m\u00fasicos e bandas de diversas partes do mundo. As sess\u00f5es acontecem no MIS-Museu da Imagem e do Som, Cinesesc, Cinemateca Brasileira, Galeria Olido e Matilha Cultural. Gabriela Alc\u00e2ntara est\u00e1 acompanhando o festival e vai registrar aqui alguns dos filmes que viu. 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