{"id":956,"date":"2011-11-09T16:58:55","date_gmt":"2011-11-09T19:58:55","guid":{"rendered":"http:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/?p=956"},"modified":"2011-11-09T17:09:33","modified_gmt":"2011-11-09T20:09:33","slug":"sonic-youth-e-o-segundo-dia-do-personal-fest","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/sonic-youth-e-o-segundo-dia-do-personal-fest\/","title":{"rendered":"SONIC YOUTH E O SEGUNDO DIA DO PERSONAL FEST"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Jarmeson de Lima<\/strong><\/p>\n<p>Poucas bandas causam em mim uma como\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande como o Sonic Youth. E s\u00f3 mesmo eles pra me fazer sair de casa para viajar, pegar horas de avi\u00e3o e ficar mais algumas horas em p\u00e9 esperando os seus primeiros acordes distorcidos.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 vi dois shows do Sonic Youth no Brasil (mais precisamente no Claro Que \u00c9 Rock 2005 e no Planeta Terra 2009), quis ver como seria um show deles noutro pa\u00eds al\u00e9m do Brasil. Basicamente foi por conta deles que viajei para a Argentina. Claro que tem outros fatores, mas o show deles foi deveras motivador para esta viagem. Pois bem, j\u00e1 com o p\u00e9 na estrada, fui ao segundo dia do Personal Fest para ter no final do evento minha recompensa que seria um grande show de encerramento com a banda do atual ex-casal Kim Gordon\/Thurston Moore.<\/p>\n<p>Mas at\u00e9 o show come\u00e7ar, muita coisa ainda ia rolar&#8230; em especial muito reggae. O line-up do segundo dia do Personal Fest teve algo bem inusitado que foi a divis\u00e3o, ou reuni\u00e3o de p\u00fablicos diferentes, se assim preferirem, por palcos. Enquanto o palco 1 reunia as bandas de pop e rock, o palco 2, bem ao lado, tinha na sua escala\u00e7\u00e3o bandas de reggae. Ent\u00e3o quem n\u00e3o curtisse um ou outro estilo poderia perfeitamente aguardar no seu lugar em frente ao palco o show que quer ver.<\/p>\n<p><iframe width=\"440\" height=\"253\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/dFdzGn0H3rY\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Quando cheguei, era a hora do show da cantora e performer espanhola <strong>Mala Rodriguez<\/strong>. N\u00e3o sei bem como descrev\u00ea-la, uma vez que sua (falta de) roupa deixava a todos desconcertados. Rap, rock e algo de eletr\u00f4nico como se fosse a debochada Peaches em sua vers\u00e3o latina. Depois dela, o festival come\u00e7ou a intercalar reggae e rock a cada hora de programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o chega a vez do <strong>SOJA<\/strong>, grupo que hoje em dia parece ser um novo fen\u00f4meno do reggae. S\u00e3o competentes, tem carisma, suas m\u00fasicas fogem um pouco daquele fraseado manjado de bandas de reggae e j\u00e1 possuem muitos f\u00e3s. A quantidade de gente com camisa do SOJA chegava a ser igual a do Beady Eye no dia anterior, por exemplo. Mas \u00e9 isso, n\u00e3o tenho muito a comentar sobre o show deles ou do <strong>Damian Marley<\/strong> que foi logo depois neste palco. Quem j\u00e1 foi a shows de reggae j\u00e1 sabe o que esperar. E sendo show de um dos muitos herdeiros de Bob Marley, \u00e9 l\u00f3gico que haveria muitos espa\u00e7os para todos cantarem juntos todos aqueles hinos em louva\u00e7\u00e3o a Jah.<\/p>\n<p>Enquanto isso, no outro palco, a galerinha indie chegava perto da grade pra assistir ao <strong>The Kills<\/strong>, que voltava a Am\u00e9rica do Sul neste ano para mostrar o repert\u00f3rio de &#8220;Blood Pressures&#8221;, que pra mim configura como o melhor disco da dupla. Guitarras mais altas, mais empatia e t\u00e9cnica e o cabelo ruivo de Allison Moshart separam o The Kills de 2011 do The Kills de 2005, quando aterrisaram aqui pela primeira vez. Empolgaram bem o publico argentino tanto com as novas musicas como com os hits anteriores como &#8220;Cheap and chearful&#8221; que fez com que todo mundo se espremesse junto da grade do palco. Antes do final, Jamie dedicou &#8220;Baby Says&#8221; a sua esposa, a modelo Kate Moss, que infelizmente n\u00e3o veio acompanhar a turn\u00ea da banda pela Am\u00e9rica Latina. O \u00fanico &#8220;problema&#8221; foi o hor\u00e1rio cedo demais, que fez com que eles ainda tocassem de frente aos \u00faltimos raios de sol, perdendo um pouco da aura &#8220;soturna&#8221; que suas m\u00fasicas pedem. No mais, um grande show.<\/p>\n<p><iframe width=\"440\" height=\"253\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/IaHUTu5YRNU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Depois deste show, come\u00e7ou uma sess\u00e3o desnecess\u00e1ria de nostalgia de festa da firma. Era a vez do <strong>INXS<\/strong>, que sabe-se l\u00e1 porque motivo$ est\u00e3o tentando emplacar novas turn\u00eas com um novo vocalista que chegou ao posto de Michael Hutchenge atrav\u00e9s de um reality-show. Em termos musicais, a banda est\u00e1 afiada, o vocalista canta bem, tocaram todos os hits que tinham direito, mas o que via no palco era uma p\u00e1lida sombra do que j\u00e1 foi a banda. Assim como o atual Queen e o Raimundos, o INXS agora se tornou uma banda cover oficial de si mesma. Se voc\u00ea se satisfaz s\u00f3 com isso, ent\u00e3o esse foi o show perfeito. E de alguma forma boa parte do p\u00fablico queria ver isso mesmo. O mais estranho \u00e9 que n\u00e3o estavam ali como headliner, apesar da propaganda oficial e tudo mais apontar que seriam. Ali\u00e1s, a programa\u00e7\u00e3o oficial com os hor\u00e1rios dos palcos do Personal Fest s\u00f3 foi divulgada uns 15 dias antes. <\/p>\n<p>Terminado o show do INXS, acreditava que haveria uma dispers\u00e3o imensa do p\u00fablico, uma vez que s\u00f3 restariam os shows da Calle 13 e do Sonic Youth. Pelo contr\u00e1rio. A maior parte das pessoas que estavam l\u00e1 queriam mesmo era ver a <strong>Calle 13<\/strong>, grupo de hip-hop, reggaeton e cong\u00eaneres latinos de Porto Rico. N\u00e3o conhecia o grupo, mas me bastou poucos minutos pra saber que seria um castigo enorme ter que enfrentar esse show pra poder ver o Sonic Youth no final. Imagine a combina\u00e7\u00e3o de O Rappa + Manu Chao e com um clima Capim Cubano. Pois bem, isso era a Calle 13. Mensagens pol\u00edticas, palavr\u00f5es e provoca\u00e7\u00f5es inseridos nas letras e refr\u00f5es para ajudar o povo a gritar e pular e muito, muito bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1. O vocalista do grupo nos intervalos das m\u00fasicas n\u00e3o parava de falar e elogiar o povo argentino, que segundo ele, foi o primeiro a reconhecer a proposta deles. <\/p>\n<p>Foi um dos momentos mais torturantes que j\u00e1 passei em um festival, ansiando pelo t\u00e9rmino de um show que parecia que n\u00e3o ia terminar. Nem preciso dizer que os f\u00e3s do Sonic Youth que estavam no palco ao lado guardando seu lugar estavam igualmente impacientes&#8230; Mas como a imensa maioria queria mesmo era cantar e pular com a Calle 13 numa vibe meio show de ax\u00e9, tivemos que esperar&#8230; J\u00e1 passava de 0h30 quando o show dos porto-riquenhos terminou, com 20 min al\u00e9m do previsto. Depois que as luzes do palco deles se apagaram, foi quando finalmente pude respirar melhor e esperar enfim pela subida do Sonic Youth ao palco. Se no dia anterior, a \u00e1rea VIP e a frente do palco estavam superlotadas na hora da \u00faltima banda, o mesmo n\u00e3o pode ser dito do segundo dia. Com o t\u00e9rmino do show da Calle 13, muita gente decidiu ir embora e deixou o local bem mais livre. Felizmente isso acabou sendo \u00f3timo porque no final do evento, tinha bem menos gente para pegar taxi e \u00f4nibus.<\/p>\n<p><iframe width=\"440\" height=\"253\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/o3PgCsvtzSg\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Mas enfim, depois de tantas horas de espera,come\u00e7a o show! Uma grande expectativa que tinha era com rela\u00e7\u00e3o ao comportamento deles no palco, sendo este o primeiro show do <strong>Sonic Youth<\/strong> ap\u00f3s a not\u00edcia da separa\u00e7\u00e3o do casal Moore\/Gordon. Ser\u00e1 que poderia ser tenso como no Pixies onde Frank Black e Kim Deal mal se olhavam? Por sorte, nada disso transpareceu. Estavam um ao lado do outro do palco e o show foi alucinante como sempre. Come\u00e7aram com &#8220;Sacred Trickster&#8221;, faixa de abertura de &#8220;<i>The Eternal<i>&#8221; e emendaram com &#8220;Calming The Snake&#8221;, tamb\u00e9m do disco mais recente.<\/p>\n<p>Logo depois foi a vez de ouvir cl\u00e1ssicos da banda numa sequ\u00eancia matadora: &#8220;Kotton Krown&#8221; e &#8220;Stereo Sanctity&#8221; do &#8220;<i>Sister<\/i>&#8221; e &#8220;Hey Joni&#8221;, &#8220;The Sprawl&#8221; e &#8220;Cross the Breeze&#8221; do &#8220;<i>Daydream Nation<\/i>&#8220;. Quando estava completamente inebriado pela aura do show com aquela onda de riffs, distor\u00e7\u00f5es e noise, Thurston Moore d\u00e1 uma sauda\u00e7\u00e3o para a plateia e come\u00e7a a cantar &#8220;Tom Violence&#8221;, uma das primeiras m\u00fasicas do grupo que ouvi na vida. Foi neste momento que agradeci por estar ali e ver que tudo valeu a pena, mesmo com um leve frio e fisicamente cansado. <\/p>\n<p><iframe width=\"440\" height=\"253\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/4cv8FlWyEFw\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O p\u00fablico, que ainda estava ali, reduziu-se a metade&#8230; ou seja 10 mil pessoas, mas isso n\u00e3o diminuiu em nada a euforia deles. Estavam todos ou mais empolgados do que a galera dos shows anteriores, abrindo roda de pogo e pulando quando tocaram &#8220;White Kross&#8221;. Vale dizer que nos momentos de jam session e improviso noise, Thurston Moore utilizou at\u00e9 o <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zRxL31tCHJY\" target=\"_blank\">ventilador de palco<\/a> para arranhar as cordas de sua guitarra. O p\u00fablico delirava, claro! <\/p>\n<p>J\u00e1 t\u00ednhamos passado da metade do show e agora era vez de Lee Ranaldo cantar mais uma m\u00fasica. E foi mais uma do &#8220;<i>The Eternal<\/i>&#8220;, &#8220;What We Know&#8221;. Depois dela, mais outros dois cl\u00e1ssicos do &#8220;<i>Bad Moon Rising<\/i>&#8220;: &#8220;Brave Men Run&#8221; e &#8220;Death Valley&#8217;69&#8221;. Dos shows que vi, este foi o que tocaram mais material antigo. Quando estava dando falta de algum hit dos anos 90, eles agradecem a presen\u00e7a do p\u00fablico no festival, falam que est\u00e3o encerrando e come\u00e7am a tocar &#8220;Sugar Kane&#8221;. Festa total, gritaria e fui invadido por uma alegria que n\u00e3o tinha como conter. Foi um momento inesquec\u00edvel de agradecimento, alegria, l\u00e1grimas nos olhos e saudade pela incerteza de saber se poderia rever outro show deles. Era o fim da festa, o fim do festival e nem a explos\u00e3o de fogos seria suficiente para exprimir a felicidade de todos os f\u00e3s do Sonic Youth naquele momento.<\/p>\n<p><iframe width=\"440\" height=\"253\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/RfHltmJ8Eto\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Ent\u00e3o meu recado \u00e9, se voc\u00ea mora em S\u00e3o Paulo e est\u00e1 cogitando perder o SWU, n\u00e3o perca! Pode se arrepender amargamente pelo resto da vida ao n\u00e3o ter visto o \u00faltimo show do Sonic Youth.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jarmeson de Lima Poucas bandas causam em mim uma como\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande como o Sonic Youth. E s\u00f3 mesmo eles pra me fazer sair de casa para viajar, pegar horas de avi\u00e3o e ficar mais algumas horas em p\u00e9 esperando os seus primeiros acordes distorcidos. Como j\u00e1 vi dois shows do Sonic Youth no Brasil (mais precisamente no Claro Que \u00c9 Rock 2005 e no Planeta Terra 2009), quis ver como seria um show deles noutro pa\u00eds al\u00e9m do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29,6],"tags":[27,79,80],"class_list":["post-956","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque-noticias","category-noticias","tag-festival","tag-personal-fest","tag-sonic-youth"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/956","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=956"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/956\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/coquetelmolotov.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}