Por Rachel Queiroz
O público lotou o Teatro Santa Isabel no último domingo (21) para assistir ao show-tributo ao compositor Marco Polo Guimarães, homenageado do Festival Recifense de Literatura – A Letra e a Voz. Artistas de diversos estilos reinterpretaram os sucessos do cantor e compositor do Ave Sangria no show “Pirata Solitário”, mostrando a amplidão da influência da banda pernambucana do movimento Udigrudi dos anos 70.
O show foi aberto por Tagore, que trouxe a sua loucura ao palco, interpretando a música “Cidade Grande” com a banda de apoio do show: Breno Lira na guitarra, Ricardo Fraga na bateria e Jefferson Cupertino no contrabaixo. Convidado por Tagore, Rogerman seguiu a festa, incendiando a platéia com “Corpo em Chamas”.
A doçura de “Lá Fora” ficou toda refletida na voz de Natália Meira, que contou com a ajuda da iluminação forte e dos instrumentos e da bateria para – com toda feminilidade – interpretar a tempestade dos versos que cantam “o silêncio costurado na boca de um guarda”.
Catarina Dee Jah entrou em seguida segurando um crânio para melhor ilustrar com bastante deboche os versos de “Geórgia, a Carniceira”: “Geórgia/ A carniceira dos pântanos frios/ Das noites do Deus Satã/ Jogando boliche com as cabeças/ Das moças mortas de cio/ No levantar das manhãs de abril”. A performance teatral de Catarina foi ainda marcada por suas risadas macabras, que reverberaram pelos camarins e cadeiras do teatro.
Todo pintado nos olhos, chegou João Menelau, vocalista do Semente de Vulcão. Em uma performance que lembrava as de Ney Matogrosso, cantou “Três Margaridas”. A psicodelia da música esteve presente na interpretação do artista, que integrou a dança e os olhares à sua voz.
Ylana Queiroga interpretou “Por Que?”, fazendo a platéia se sentir em pleno mar, com o balanço ritimado de sua voz. Depois dela, “Seu Waldir” colocou todo mundo de pé para dançar. A versão de Silvério Pessoa conseguiu animar ainda mais a música que estourou nas rádios no começo dos anos 70. Em julho desse ano, a música nomeou um baile no Mercado Eufrásio Barbosa. É Ave Sangria viva no molejo pernambucano.
Anunciando a companhia de sua esposa Niedja (que afirma ser sua “namorada”) e seu neto Caio César no palco do Santa Isabel, chegou Almir de Oliveira, também integrante do Ave Sangria nos anos 70. Seus familiares complementaram sua performance na música “Dois Navegantes”.
[Cannibal comenta sobre o show-tributo a Marco Polo]
A platéia aplaudiu fortemente a interpretação da música “Hey Man”, feita por Cannibal, vocalista da banda de hardcore Devotos. Em uma apresentação enérgica, ele dançou (com corpo e cabelos) os últimos versos da canção: “Não quero nem saber/ Rolei com ela pelo chão”. Pouco tempo depois foi a vez do homenageado subir ao palco e cantar “O Pirata”.
Ao final do show, com todos juntos, Cannibal trouxe sua filha para o palco – disse que só traz a filha em apresentações de domingo à tarde – e a menina dançou entre os vários artistas que encerravam o show com a música “Geórgia, a Carniceira”. Junto com ela, à beira do palco, outras crianças pequenas se balançaram ao longo de todo o show. Mais uma geração de fãs para as composições de Marco Polo?





