NOVAS IMPRESSÕES SOBRE A TRIBO MUNDO LIVRE

Por Tathianna Nunes
(Entrevista realizada no Café Castigliani no dia 23 de novembro)

Sabe quando te conquistam pelos olhos? Foi assim o começo da paquera com o novo trabalho do MundoLivre S/A, “Novas Lendas da Etnia Toshi Babba”. Na verdade, a arte assinada pelo artista plástico Derlon Almeida foi o meu primeiro contato com o disco. Nem estava finalizada quando a vi em setembro, mas já denunciava um pouco do espírito da obra. Mundo Live S/A está mais pop! E daí? Diria que finalmente até. Não desmerecendo os discos anteriores que gosto muito, mas faz bem à alma mudar de vez em quando.

Comecei a escutar o disco namorando o encarte. O grupo liderado por Fred 04 está mais apaixonado! Uma paixão mais madura. Mais direta. Que chega mais suave e certeira ao ouvido. “Me formei como consumidor de música pop no momento em que o rádio era fantástico. Escutei muita coisa boa na universitária AM. Rolling Stones, Pholhas, Trepidants, Prince”, confessa Fred.

Acho que meu repertório musical me deixou na mão porque não encontrei essas referências, mas concordo com o jornalista José Teles quando comenta que a última faixa, “Tua carne black label”, tem um quê de John Lenon. Fred também concorda – “não pensei nisso na hora que compus, mas tem. Está na melodia, no refrão… foi uma coisa inconsciente”. 

Fiquei muito feliz quando nesta tarde de quarta-feira (23/11) sentei com Fred para falar do disco, que já estava virando mais uma lenda urbana. Poucos colocavam fé que ia sair. “Foram tantas idas e vindas, o titulo mudou várias vezes, porque o disco começou como pré-produção da celebração dos 25 anos da banda em 2007”, desabafa o músico. Pergunto – por que demorou tanto? “Troca de produtora. Saímos da Astronave pela maneira trágica que Paulo André (produtor do Abril Pro Rock) lidava com este disco”.

E continua: “Em vários momentos durante a produção, eu defendia correr atrás de empréstimo, perguntei se ele como produtor poderia usar o CNPJ, mas sempre desconversava e vinha com a conversa de inscrever em lei de incentivo”, lembra. “Não sei se foi falta de confiança ou outra coisa. Ele tinha escutado algumas faixas do disco, mas estava sempre ausente. Não lembro dele nas gravações, não senti interesse de Paulo André na produção. Faltou empenho”, critica.

Pop? – Fred revela que o disco sofre duas acusações. A primeira é que é menos brasileiro, crítica que ele atribui à ausência do cavaquinho em boa parte das músicas. Das inéditas, só “O velho James Browse já dizia” tem o instrumento. A outra acusação é de estar mais pop. Mas, para quem cresceu escutando Prince, Talking Heads, David Bowie, não é nenhuma surpresa, não?

Bem, mais uma informação que posso trazer deste disco é que o Mundo Livre S/A continua exaltando as mulheres. Em “Constelação C.A.R.I.N.H.O.C.A”, Fred canta o charme das cariocas. Já em “Ela é Indie”, ele presta homenagem a quem vos escreve, eu – Tathi, e a minha sócia Ana, do Coquetel Molotov.

Fiz ele cantar a música especialmente para a gente. Ele se perdeu nas letras, mas com a desculpa dada, a gente perdoa – “esta foi a letra mais reescrita”, confessa envergonhado. Dudu Marote, que assina a produção com Miranda e Léo D, nunca ficava satisfeito. Bem, se o trabalho extra é a culpa para a falha da memória, está desculpado. “Ela é Indie” foi escrita por Fred 04 e Areia depois de constatarem que as gatinhas da produção do festival “indie” Coquetel Molotov dão um banho de charme e beleza nos produtores de bermudão e camisa de banda do Abril Pro Rock.

Olha, por fim, arrisco até dizer que Mundo Livre S/A também está mais indie. Com disco lindo e cheio de baladinhas para cantar junto, como “Eduarda Fissura do Átomo”.

  1. Pô, Tathi, só dois dedos de prosa?
    Da próxima vez tenha cinco.
    Mas mesmo assim eu levanto meu polegar pra vc.

    PS: Zero Quatro ficou todo errado. rsrrsrs
    Ahh, pra mim, o do Criolo, o do Lenine e o Toshi Babba são os discos do ano.

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