PERSONAL FEST: O HERMANO DO TERRA E PRIMO DO SWU

PERSONAL FEST: O HERMANO DO TERRA E PRIMO DO SWU

Por Jarmeson de Lima

Neste ano resolvi fazer algo diferente. Ao invés de ir ao Planeta Terra ver os brinquedos e os shows em ação no Playcenter ou me aventurar na estrada pelo interior de São Paulo para ver os shows do SWU, fui a Buenos Aires pra conferir o Personal Fest.

PERSONAL FEST: O HERMANO DO TERRA E PRIMO DO SWU

Com dois dias de programação, o line-up estrangeiro do primeiro dia, nesta sexta (4/11) era composto basicamente pelas atrações principais do Terra. Enquanto que o segundo dia, sábado (5/11) tinha uma mescla de atrações de dias diferentes que vão tocar no SWU. Não há então como achar o Personal Fest um evento em terras porteñas quase que parente destes grandes festivais brasileiros.

O Personal Fest já existe há alguns anos, mas de 2009 pra cá deu uma parada e agora retomou suas atividades. Não fui a nenhuma outra edição antes, mas a marca do evento é sua grandiosidade. Ele acontece em um clube esportivo em Buenos Aires, numa região próxima ao Aeroparque Jorge Newbery. Não é tão longe, mas também não é tão perto assim. E com mais de 20 mil pessoas presentes, a chegada não poderia ser diferente de uma visão de trânsito parado e muita gente descendo a pé bem antes do local de descida. Mas como é em Buenos Aires e não no Brasil, mesmo isso dá para encarar de boa.

Se soubesse deste empecilho, teria saído bem mais cedo no primeiro dia para conferir as primeiras atrações locais. E assim como a maioria da população brasileira, desconheço e muito o que vem se produzindo na música porteña, além das bandas que eventualmente vem tocar nos festivais independentes no Brasil. Pensando nisso, já fui procurando me informar para chegar com um mínimo de referência dos grupos.

Quem me deu uma pequena ajuda foi a galera da Rádio Nacional Rock da Argentina. Combinei de visitar a emissora para conhecê-la e compartilhar músicas de artistas brasileiros também. Fazendo um pequeno intercâmbio entre programas de rádio, copiei músicas de bandas brasileiras e eles me passaram mais alguns Mb de música argentina atual. No meio do papo me deram umas dicas do que poderia assistir.

PERSONAL FEST: O HERMANO DO TERRA E PRIMO DO SWU

E chegando no Personal Fest, o primeiro show propriamente dito que vi, foi no Palco 4 do evento, que era montado dentro de uma quadra de basquete. Isso me fez sentir como num filme adolescente norte-americano em que uma banda toca no baile da high-school em um clima bem amistoso. O local abrigava cerca de 1000 pessoas e em alguns momentos a chuva que começava a cair pelo campo fazia com que mais gente entrasse para ver os shows no único lugar coberto do festival.

No primeiro dia consegui ver apenas três bandas neste palco, sendo a mais interessante a 107 Faunos, grupo que preza por uma sonoridade bem guitar-band anos 90, com uma execução primorosa. São sete pessoas no palco tocando guitarras distorcidas, maracas, teclado e cantando em espanhol. E funciona! O grupo tem músicas na linha Pavement e Yo La Tengo. E já tem muitos fãs pela quantidade de gente que cantava junto as músicas. No segundo dia, a meta é ver mais shows por ali, uma vez que começa e termina cedo, antes da programação principal.

PERSONAL FEST: O HERMANO DO TERRA E PRIMO DO SWU

No palco principal, o primeiro show que assisti foi o do Toro Y Moi. Um show realmente surpreendente que pode conquistar facilmente o público no Planeta Terra. Logo depois deles, foi a vez do White Lies, grupo interessante, mas que é fácil de enjoar ao vivo, uma vez que não traz muita coisa nova. Ainda assim valeria a pena ver. Mas justamente no final do show, começa uma chuva para dispersar o público. Como se a chuva por si só não fosse suficiente, ainda havia raios e muitos para assustar. Por conta deste contratempo climático, perdi boa parte do show do Broken Social Scene. Ao menos consegui ver a participação de Emily Haines no show dos canadenses.

Era hora de dar um pulo na praça de alimentação do festival para uma pausa. No começo, obviamente, quase não havia filas. Mas desta hora até o final do evento, as filas ficavam impraticáveis. Mas a variedade compensava. Tinha desde stands vendendo Kebab a Comida Venezuelana e as tradicionais pizzas frias de festival. O detalhe principal é que no Personal Fest, a exemplo de outros eventos na Argentina, não era permitido vender bebida alcoólica. A única “vantagem” é que a pessoa gasta menos, mas não se “diverte” como gostaria.

Por volta das 21h, começava o show de Alisson Goldfrapp. E não é surpresa que ela cumpre o papel agregador para o público que curte dançar e se embalar ao som mais eletrônico. Ela está no line-up do Terra para ser como foi com Mika ano passado, com muitos efeitos de luz, glitter, glamour e até playback de backing vocals. Depois da festa, a sobriedade. Chegava a hora do tão aguardado show do Beady Eye… ou simplesmente a banda de Liam Gallagher. Os órfãos do Oasis competiam em fanatismo e número de camisas com o Strokes, com maior vantagem para a banda norte-americana, claro.

Mas o show do Beady Eye não tem muitas surpresas. Aliás, nenhuma. Se não fosse a presença de Liam, seria uma banda competente para tocar em estádios, mas sem carisma próprio. Surpreendente mesmo foi a postura de Liam, um tanto mais simpático do que costumavámos ver por aí. Rolou até dele se cobrir com uma bandeira da Argentina e arriscar saudações em espanhol. Nada além disso para uma banda que parece apenas cover de b-sides do Oasis.

E conforme previsto e esperado, Strokes era a banda mais aguardada da noite. Começaram o show pontualmente na programação divulgada pelo festival às 23h15, horário realmente cedo para os padrões de festivais no Brasil. E não houve dúvidas de que fizeram todo mundo se empolgar e cantar junto.

Ao completar 10 anos do “Is This It”, não hesitaram em tocar todas as músicas deste disco intercaladas com material mais recente. Aliás, quando uma das novas desempolgava, logo mandavam um hit em seguida. Foi 1h20 de show que encerrou oficialmente com “Last Nite” e que teve bis de 2 musicas: “Hard to explain” e “Take it or Leave it”. E finalizando a noite, uma herança do Rock in Rio: fogos!

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